“Defiro
o pedido da defesa para determinar a extensão da ordem de habeas corpus para as
ações penais”, sentenciou Mendes, na decisão, referindo-se às condenações no
âmbito da operação Lava Jato.
Em
2016, Moro, então responsável pela 13ª Vara Federal em Curitiba e principal juiz que atuou na Lava Jato, condenou Dirceu a 23
anos e 3 meses de prisão pelos crimes de corrupção, lavagem de
dinheiro e pertinência à organização criminosa. A condenação tinha sido
solicitada pelo Ministério Público Federal (MPF).
Ao
pedir a anulação dos atos processuais, a defesa de Dirceu destacou que, em
março de 2021, a Segunda Turma do STF, na época presidida por Gilmar Mendes,
decidiu, por 3 votos a 2 que Moro foi parcial ao julgar, em 2017, o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva no caso envolvendo a acusação de que teria ocultado a
propriedade de um apartamento triplex no Guarujá, no litoral paulista. Um mês
depois, a maioria do STF confirmou que quatro processos criminais contra Lula
teriam que ser refeitos.
Com
base na decisão da Segunda Turma, os advogados de Dirceu pediram que os
ministros da corte suprema reconhecessem que o ex-ministro petista também foi
prejudicado pela parcialidade de Moro, alegando que a condenação de seu cliente
fez parte de uma estratégia concebida pelos procuradores do MPF responsáveis
pela força-tarefa da Operação Lava Jato, “de comum acordo com o ex-juiz Sérgio
Moro para fragilizar não só o requerente [Dirceu], mas o Partido dos
Trabalhadores como um todo”.
Em
nota assinada pelo advogado Roberto Podval, a defesa de Dirceu afirma que ele
recebeu com “tranquilidade” a decisão que, entre outras coisas, “restitui seus
direitos políticos”.
Sergio
Moro
Pouco
após a decisão de Gilmar Mendes se tornar pública, na manhã desta terça-feira
(29), o senador Sergio Moro usou suas redes sociais para criticar a anulação
das condenações de Dirceu.
“Não
existe base convincente para anulação da condenação de José Dirceu na Lava
Jato. Além da condenação anterior no Mensalão, foi ele condenado na Lava Jato
por três instâncias, inclusive pelo STJ”, escreveu Moro no X,
referindo-se à condenação anterior que Dirceu sofreu em 2013 e cuja pena foi parcialmente perdoada em 2016.
“Segundo
esses julgados, há prova documental do pagamento de suborno oriundo de
contratos da Petrobras. Todos esses magistrados estavam de conluio? Um conluio
do qual não há registro ou prova, apenas fantasia! O combate à corrupção foi
esvaziado no Brasil, sob a benção do governo Lula/PT”, criticou Moro nas redes
sociais.
A
Lava Jato sofreu reveses a partir de junho de 2019, quando o site Intercept revelou trechos de mensagens de
texto e áudio trocadas entre procuradores da Lava Jato e Moro. O caso ficou
conhecido como Vaza Jato e levou o STF a considerar Moro parcial.
O
ex-procurador Deltan Dallagnol pediu demissão do MPF para disputar as eleições
de 2022, quando se elegeu deputado federal pelo Paraná. Ele foi cassado em maio de 2023.
Também
no X, Dallagnol escreveu que, com a decisão de Mendes, “Dirceu
deixa de ser ficha-suja e já pode voltar a se candidatar a deputado federal
pelo PT em 2026”.
(Ag.
Brasil)
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