Tharoor afirma que "as ameaças tarifárias de Trump levaram outros
países da região a se curvarem a Washington", mas que "a economia
brasileira é maior e mais diversificada do que a de seus vizinhos" e
que Lula viu na
crise uma oportunidade para travar um embate com os EUA.
Segundo o jornal americano, a disputa diplomática entre os EUA e o
Brasil não está caminhando para um desfecho rápido, já que ambos os países
estão aumentando a intensidade de suas medidas.
Na sexta-feira passada, sob ordens do
ministro do STF Alexandre de Moraes, a Polícia Federal fez
buscas em endereços de Jair Bolsonaro. O ex-presidente recebeu uma tornozeleira
eletrônica e está impedido de deixar sua casa em determinados
horários. Ele também não pode fazer contato com envolvidos nas investigações
sobre suposto golpe de Estado ou com diplomatas de outros países.
Os EUA reagiram no mesmo dia suspendendo o
visto de entrada no país de Moraes, alegando uma "caça às
bruxas política" do STF contra Bolsonaro.
Fontes diplomáticas que falaram sob condição de anonimato ao Washington
Post criticaram Trump pelas medidas contra o Brasil.
"É difícil conceber uma ação que o governo Trump possa tomar na
relação EUA-Brasil que seja mais prejudicial à credibilidade dos EUA na
promoção da democracia do que sancionar um juiz da Suprema Corte de um país
estrangeiro por não gostarmos de suas posições jurídicas", disse uma
autoridade do Departamento de Estado americano, segundo o Washington Post.
O jornal da capital americana também destaca o fortalecimento de Lula na
crise com os EUA.
"Para Lula, cujos aliados de esquerda enfrentam uma eleição difícil
em 2026, o momento é uma bênção. Pesquisas mostram um apoio renovado ao seu
governo diante da intimidação americana provocada por Bolsonaro. As tarifas
também prejudicam os interesses das elites empresariais, que costumam ser os
maiores incentivadores da oposição conservadora a Lula", afirma o artigo
do jornal americano.
O Washington Post também cita uma fonte diplomática brasileira que, sob
anonimato, disse que "o Papai Noel chegou cedo para o presidente Lula, e o
presente foi enviado por Trump por meio desse ataque atrapalhado à soberania do
Brasil".
As tarifas anunciadas por Trump no dia 9 de julho devem entrar em vigor
em 1º de agosto. Os EUA são o terceiro
maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas de China e União
Europeia.
Autoridades do governo brasileiro e analistas disseram à BBC News Brasil que, diante do agravamento da crise política entre os países, é pouco provável que o governo dos EUA recue nas tarifas — como foi feito em outros episódios recentes envolvendo ameaças tarifárias a outras nações.
(Fonte: BBC Brasil)
.webp)
Nenhum comentário:
Postar um comentário