Também participaram do evento Democracia
Sempre os líderes da Colômbia, Gustavo Petro; Espanha, Pedro Sánchez;
e do Uruguai, Yamandú Orsi. Na sequência da reunião reservada entre os líderes,
eles se encontrarão com representantes da sociedade civil, do meio acadêmico e
de grupos de reflexão sobre políticas públicas.
As discussões
envolvem três temas: defesa da democracia e do multilateralismo; combate às
desigualdades; e tecnologias digitais e o enfrentamento à desinformação. Para
Lula, é preciso ações concretas e urgentes diante do agravamento da ofensiva
antidemocrática no mundo.
“A democracia liberal não foi capaz de responder aos anseios e
necessidades contemporâneas. Cumprir o ritual eleitoral a cada quatro ou cinco
anos não é mais suficiente. O sistema político e os partidos caíram no
descrédito. Por essa razão, conversamos sobre o fortalecimento das instituições
democráticas e do multilateralismo em face dos sucessivos ataques que vem
sofrendo”, afirmou Lula.
Os cinco líderes também concordaram sobre a necessidade de regulamentação das plataformas digitais e do combate à desinformação para “devolver aos Estados a capacidade de proteger os seus cidadãos”.
“A
chave para um debate público livre plural é a transparência de dados e uma
governança digital global. Que a liberdade de expressão não se confunda com a
autorização para incitar a violência, difundir o ódio, cometer crimes e atacar
o Estado democrático de direito”, disse Lula.
O grupo de
presidentes ainda convocou a sociedade organizada para a construção
coletiva de propostas de reformas estruturais para enfrentar as desigualdades.
“Não
há justiça em um sistema que amplia benefícios para o grande capital e corta os
direitos sociais”, disse Lula ao defender justiça tributária e taxação dos
super-ricos.
“Só o combate a desigualdades sociais, de raça e de gênero pode
resgatar a coesão e a legitimidade das democracias. A crise ambiental introduz
novas formas de exclusão com os impactos desproporcionais para os setores mais
vulneráveis. Sem um novo modelo de desenvolvimento, a democracia seguirá
ameaçada por aqueles que colocam seus interesses econômicos acima dos da
sociedade e da pátria”, afirmou o brasileiro.
O encontro no Chile já estava marcado há algum tempo, mas
acontece no momento em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, endurece os ataques tarifários contra
diversos países, entre eles o Brasil.
O evento ocorre em seguimento à primeira reunião de alto nível
Em Defesa da Democracia: Lutando contra o Extremismo, realizada em setembro de
2024, à margem da 79ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. O
evento foi convocado pelo presidente Lula e pelo espanhol Pedro Sánchez.
Como próximo marco da iniciativa, está prevista a realização de
reunião no contexto da 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em setembro
próximo, em Nova York. Na ocasião, também devem participar os líderes de
México, Inglaterra, Canadá, Honduras, Austrália, África do Sul e Dinamarca.
(Ag.
Brasil)

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