Segundo dados do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tinha 9,1 milhões de
pessoas com 15 anos ou mais que não sabiam ler nem escrever em 2024, o que
corresponde a uma taxa de 5,3% da população adulta. Além disso, o Indicador de
Analfabetismo Funcional (Idaf) do último ano indica que cerca de 29% da população
brasileira era considerada analfabeta funcional.
O pesquisador ressalta que o
impacto da alfabetização, inclusive da Educação de Jovens e Adultos
(EJA), vai para além da sala de aula. “Uma criança que tem contato
com um adulto que volta para a escola (…) quase sempre tem um desempenho
escolar muito satisfatório porque vê que a família valoriza a educação”, explica.
Ele explica que o
analfabetismo funcional gera um problema em todos os níveis de ensino. “Se você
chega até a universidade e está em situação de analfabetismo funcional, é um
problema, concretamente, de algo que não ocorreu na educação básica. […] Isso é
gravíssimo”, afirma.
Cara lembra ainda que o
aprendizado não é cumulativo e exige estímulo constante. “Quantas vezes uma
pessoa estuda um idioma estrangeiro e, pelo fato de não praticar, tem muita
dificuldade de retomar o uso da língua? Essa é a prova de que o aprendizado não
é cumulativo”, compara.
Mudanças climáticas e
desigualdades regionais
O professor destaca que a
crise climática impõe novos desafios à educação, como no Rio Grande do Sul,
onde enchentes inviabilizaram aulas
em 2024. “As mudanças climáticas trazem inúmeros desafios para o
aprendizado, tanto na inviabilização do curso normal das aulas […] como também
a climatização das salas de aula não permite um aprendizado”, diz.
Ele também ressalta que as
desigualdades regionais ampliam a exclusão educacional. “[O Norte] é uma região
que ainda está muito pautada em processos de corrupção, […] tem um garimpo
mobilizado pelo crime muito estruturado, […] diante do fato de que o Brasil não
respeita as populações indígenas, tampouco as ribeirinhas. Isso resulta em uma
região que tem pouco acesso à educação, comparado com as outras regiões”,
exemplifica.
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda
a sexta-feira: a primeira às 9h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
(g1)

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