Os atos aconteceram na semana em que é esperado um veredito no julgamento de Bolsonaro e outros sete réus de tentativa de golpe de Estado, que pode levar o ex-presidente à cadeia.
"Os dois Brasis se enfrentam nas
ruas na véspera do veredito de Bolsonaro", destacou o jornal espanhol El
País.
"O Brasil institucional, liderado pelo presidente Luiz Inácio da
Silva, e o bolsonarismo — sem seu líder, Jair Bolsonaro, que está em prisão
domiciliar — foram às ruas neste domingo, 7 de setembro, Dia da Independência,
em manifestações separadas", disse o principal jornal da Espanha.
"A esquerda reuniu cerca de 8 mil pessoas em São Paulo, enquanto o
bolsonarismo reuniu cerca de 42 mil pessoas na maior de suas passeatas na mesma
cidade, segundo o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento", destacou o
jornal.
O artigo do El País afirma que os bolsonaristas já dão como certa a
condenação de Bolsonaro, e por isso foram às ruas pedir uma anistia ao
ex-presidente e outros políticos e manifestantes condenados na Justiça. Muitos
também exibiram bandeiras dos EUA e pediram
mais apoio ao presidente americano, Donald Trump, que seria "a
última esperança e uma ferramenta-chave" para se conseguir uma anistia no
Brasil.
O jornal também falou que Lula liderou o desfile oficial de 7 de
setembro, que não contou com a presença de ministros do Supremo Tribunal
Federal (STF). Lula disse em pronunciamento na televisão que "não somos
nem seremos de novo colônia de ninguém" e chamou de "traidores da
pátria" os políticos que "estimulam ataques contra o Brasil".
Direita superou 'significativamente' a esquerda
O jornal americano New York Times disse que apoiadores de Bolsonaro
"inundaram as ruas na véspera de sua esperada condenação".
"Milhares de brasileiros foram às ruas no Dia da Independência do
país, no domingo, em protestos políticos, abrindo uma semana tensa que deve
terminar com a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro", disse o jornal
americano, destacando que as manifestações foram majoritariamente pacíficas e
aconteceram em cidades de todo o país.
"À direita, brasileiros envoltos em bandeiras brasileiras e
americanas protestavam contra o processo criminal contra Bolsonaro, acusado de
tentar se manter no poder após perder a eleição de 2022. À esquerda, pessoas
pediam a prisão de Bolsonaro e denunciavam os esforços do presidente Trump para
proteger o ex-presidente."
"Na tarde de domingo, imagens aéreas de vários protestos deixaram
poucas dúvidas de que os apoiadores de Bolsonaro superavam significativamente
em número os manifestantes da esquerda, mostrando que — mesmo em meio a seus
problemas legais — ele continua sendo uma força política significativa no
Brasil", diz o artigo do New York Times.
O artigo questiona em seguida: "Mas isso vai importar?" —
destacando que se espera a condenação de Bolsonaro, com penas que podem chegar
a 40 anos de cadeia.
O New York Times destacou as falas de
Lula no pronunciamento televisivo pelo 7 de setembro em que o
presidente diz que o Brasil não vai aceitar ordens de ninguém — o que seria uma
"mensagem voltada para Trump".
O jornal americano disse que "com a condenação de Bolsonaro vista
como inevitável tanto pela direita quanto pela esquerda, os protestos de
domingo se concentraram em grande parte na questão da anistia".
"A questão da anistia é particularmente sensível no Brasil, onde
oficiais militares já receberam essa proteção por crimes cometidos durante a
ditadura do país, de 1964 a 1985, quando brasileiros foram presos, torturados e
desaparecidos."
Bolsonaristas 'suplicam' apoio de Trump
O jornal britânico The Guardian cobriu as manifestações bolsonaristas em
um artigo com o título: "'Ele é nosso último recurso': apoiadores de
Bolsonaro suplicam para que Trump intervenha no julgamento do ex-presidente por
golpe".
"O presidente de esquerda do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva,
prometeu que seu país não aceitará ordens de ninguém, enquanto seguidores de
seu antecessor de extrema direita foram às ruas para pedir que Donald Trump
endurecesse contra o governo e o judiciário do Brasil na véspera do julgamento
de Jair Bolsonaro por supostamente planejar um golpe", diz o Guardian.
"Nas manifestações de domingo, os apoiadores de Bolsonaro pediram a
Trump que fizesse mais para ajudar seu líder de 70 anos, que vive em prisão
domiciliar desde o início de agosto após violar uma ordem judicial que o
proibia de usar as redes sociais. Se condenado esta semana, ele pode pegar uma
pena de até 43 anos", afirma o jornal britânico.
"No Rio, milhares de manifestantes se reuniram na praia de
Copacabana para mostrar seu apoio a Bolsonaro, que mantém o apoio de milhões de
brasileiros, apesar das alegações de que ele orquestrou um golpe
fracassado."
O Guardian afirma também que "a alegria da esquerda com a
condenação antecipada de um político que, segundo promotores, tentou levar o
Brasil de volta a um regime autoritário foi esfriada pela raiva com a intervenção
de Trump e pelos temores de que o Congresso do país, dominado pelos
conservadores, possa eventualmente aprovar uma anistia para Bolsonaro".
As manifestações de domingo também foram destaque em outros veículos
internacionais.
O Clarín, da Argentina, disse: "Milhares de pessoas vão às ruas
antes do veredito sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro". O também
argentino La Nación noticiou: "Protestos de Bolsonaro desafiam Lula antes
do julgamento sobre o suposto golpe".
(Fonte: BBC)


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