sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

DE OLHO NA LÍNGUA - Prof. Antônio da Costa (Do Jornal Correio da Semana - Sobral-CE - Sábado - 17.01.26)


Que curiosidade traz a palavra aula?

A palavra aula significava antigamente palácio, corte, assim como áulico, ainda hoje, significa cortesão, palaciano. Como veio a tomar o sentido que hoje possui, qual seja o de lição de uma disciplina?

É que antigamente os filhos dos nobres eram educados nos palácios, nas cortes. Tanto bastou para que a palavra acabasse tomando tal sentido. 

Televisar ou televisionar?

Ambas corretas, a exemplo de supervisar e supervisionar. Muitos dicionários apontam a primeira forma como preferível. Gostaríamos de saber baseado em quê. Televisionar é palavra muito bem formada, apesar de híbrida: vem do grego: tele (longe) e do latim: vísiovisionis (visão). Os que defendem verbalmente a forma televisar argumentam que, ao se retirar a terminação - ão,  tem-se televis -; acrescentando-se o sufixo verbal - ar, ocorre televisar, e não televisionar. Mas o raciocínio não nos parece muito acertado. Fosse assim, teríamos, então, os verbos questar (e não questionar), adiçar (e não adicionar), sançar (e não sacionar), coleçar (e não colecionar). Portanto, se o leitor usar televisionamento em vez de televisamento, estará não só usando o rigorosamente correto, como também o mais usual.  Que a imprensa falada, escrita e televisionada faça o registro! 

Medicamento e remédio são a mesma coisa?

Não. Medicamento é qualquer droga ou substância aplicada em alguém como remédio. Remédio é tudo o que serve para aliviar ou curar um mal.

Uma boa massagem é um remédio para o desgaste físico, assim como um banho, depois de uma longa ou dura jornada de trabalho. Observe que todo medicamento é remédio, mas nem todo remédio é medicamento.  

O diabetes ou a diabetes?

Em Portugal, a forma correta é a feminina a diabetes. A 14 de novembro assinala-se o Dia Mundial da Diabetes. No Brasil, também é aceito o masculino: o diabetes. Esta palavra provém da forma masculina grega diabetes, mas generalizou-se na Língua Portuguesa sob a forma feminina. Em Portugal: a diabetes; No Brasil, o diabetes ou a diabetes. 

Personagem (gênero)

O gênero da palavra personagem ainda não está firmado, encontrando-se tanto no masculino quanto no feminino. Etimologicamente, provindo de “personaticum” pode ser feminino; mas analogicamente, isto é, por pertencer, ao grupo dos nomes terminados em “agem”, foi primeiro masculino: O personagem, o viagem, o linguagem; passou depois ao feminino.

Atualmente fazem a concordância de gênero siléptica, isto é, com o nome oculto a que se refere: O personagem, se se referir a homem: A personagem, se se referir a mulher. Eu, particularmente só emprego a palavra como feminino (a personagem, para ambos os sexos), pois, os gramáticos consideram o personagem, como francesismo. 

Gigante (tem feminino?)

Tem. Giganta (mas só o substantivo). Exs.: Quando começou a crescer, na adolescência, ela se tornou uma giganta; Hortência diz que seu sonho é ser uma giganta do automobilismo mundial; Essa mulher foi uma giganta na defesa da democracia. É bom lembrar que como adjetivo é invariável. Ex.: Homem gigante; mulher gigante.

 

(*) Professor Antônio da Costa é graduado em Letras Plenas, com Especialização em Língua Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). Contato: (088) 99373-7724.

 

 

 

 

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