sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

DE OLHO NA LÍNGUA - Prof. Antônio da Costa (Do Jornal Correio da Semana - Sobral-CE - Sábado - 07.02.26)

A mim me parece

Expressão muito usada no Português coloquial, é coordenada por alguns gramáticos mais tradicionalistas. A expressão é, de fato, um pleonasmo, mas a Língua o acatou como pleonasmo estilístico. A linguagem informal, o padrão oculto, quer que se diga: parece-me, parece a mim, expressões que soam muito artificiais. O Português contemporâneo já aceita a expressão “a mim me parece”. 

“Haja visto os últimos acontecimentos do Leste Europeu” ou “Haja vista os últimos acontecimentos do Leste Europeu”?

Não existe “haja visto”. A não ser que você esteja usando o verbo ser como em: É possível que ele haja visto o crime. Mas não é disso que se trata, evidentemente. A expressão “haja vista” pode ser usada de três maneiras:

1º) Como expressão invariável. Dizendo haja vista você nunca erra: Haja vista os últimos acontecimentos; Haja vista a resposta que ele deu; Haja vista o que ele fez. OBS.: Haja vista aqui é usada como sinônimo de “veja, por exemplo.

2º) Com o verbo haver usado pessoalmente, concordando com o sujeito: Hajam vista os últimos acontecimentos; Haja vista a resposta que ele deu; Haja vista o que ele fez.

3º) Com a preposição “a” combinando-se o artigo ou pronome que vier a seguir: Haja vista aos últimos acontecimentos; Haja vista à resposta que ela deu; Haja vista ao que ele fez.

OBS.: É mais seguro usar “haja vista” invariável (em todos os casos). 

CRECI (Pronúncia)

O nome profissional oficial é “corretor de imóveis”. Para atuar legalmente no Brasil o profissional deve ser registrado no CRECI (pronuncie CRECÍ (Conselho Regional de Corretores de Imóveis), sendo essa inscrição obrigatória por lei. Outros termos comuns, mas com focos diferentes, incluem agente imobiliário ou consultor imobiliário. OBS.: os próprios profissionais da área pronunciam erroneamente “CRÉCI”. 

“Volta as aulas” / Volta as áulas / Volta às aulas?

A única forma correta é “volta às aulas”. O acento que indica o fenômeno da crase (em Grego, fusão) é acento grave (`) e não o acento tônico. Explicação: trocando o feminino aula pelo masculino colégio, você diz: volta aos colégios. Outra regrinha básica: usando “para” (preposição) -  volta às aulas (volta para as aulas) justifica a ocorrência da crase. 

A água de côco / Água-de-coco / Água de coco?

A única grafia correta para a expressão é “água de coco”, sem hífen e sem acento na palavra coco porque nunca teve acento. Coco é uma palavra paroxítona terminada em “o”. A palavra coco (fruto) não é acentuada porque é uma paroxítona (na sílaba tônica é a penúltima: co-co. Segundo regras de acentuação da Língua Portuguesa, paroxítonas terminadas em “o”, seguidas ou não de “s”, não recebem o acento tônico. Ex.: coco, bolo, tolo, jogo, etc. 

O doente veio a óbito

Apesar de muito usada na imprensa, a expressão “O doente/paciente veio a óbito” está incorreta. A palavra óbito é um eufemismo falava (palavra usada para amenizar o impacto da palavra morte). A expressão correta é: o doente/paciente foi a óbito, isto é, foi ao encontro da morte, morreu.

Veja que dizemos eufemicamente: o doente foi para o andar superior; O paciente foi para a cidade dos pés juntos, isto é, morreu. 

(*) Professor Antônio da Costa é graduado em Letras Plenas, com Especialização em Língua Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). Contato: (088) 99373-7724.

 

 

 

 

 

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