Pode-se voltar atrás?
Sem dúvida, pode-se. Voltar atrás significa retratar-se, mudar de opinião, e não constitui redundância. Por isso é que: “palavra de rei não volta atrás”. Redundante é a construção “voltar para trás”, porque não se volta senão para trás. Mas pode-se perfeitamente, e sem nenhum problema, virar para trás, porque também se vira para o lado, para a frente, etc. Ex.: Alguém virou a placa para trás; Virem-se para a frente, meninos!; O barulho foi grande, mas ninguém sequer se virou para o lado.
Inteirar (Erro de pronúncia)
Há
um grupo de verbos ditongados que bem poucos conjugam corretamente: inteirar,
roubar, estourar, peneirar e outros semelhantes. É necessário pronunciar o
ditongo e não o reduzir a uma vogal apenas. Erram os que dizem: intéro, intére,
penéro, penére, róbo, róbe, estóro, estóre. O correto é: inteiro, inteire,
inteiras, peneiro, peneire, roubo, roube, estouro, estoure, etc. Um pouco de
cuidado e a Língua Portuguesa não será tão deturpada em lábios brasileiros.
Melhor boa vontade
É
correto dizer-se: na melhor boa vontade? À primeira vista parece haver erro
porque “melhor” já é comparativo de bom e já estaria o simples grau positivo
eliminado pela presença do comparativo de superioridade. Acontece, porém, que a
expressão “boa vontade” como “boa-fé” de tão repetida já não representa aos
olhos da maioria grau algum. E os melhores escritores não trepidaram em
escrever “na melhor boa-fé, também não tremerão de medo diante da outra: de
melhor boa vontade. Camilo Castelo Branco, por exemplo, escreveu: “Isso
parece-me demais! Retorquia a tia com a melhor boa-fé”. (Mistério de Lisboa, I,
Cap. 17).
Mais bom / Mais boa
Quando
se comparam qualidades da mesma pessoa ou coisa, é permitido empregar-se o
comparativo analítico ‘’mais bom” e “mais boa”. O clássico Bernardes aqui está
para valer-nos: “Tornou o santo com semblante grave: Madre minha, vós sois mais
justa que boa; e convém serdes mais boa que justa”. (Nova Floresta, II, 213). Quando
se comparam qualidades de pessoas ou coisas diferentes, então, sim, exige-se o
comparativo sintético “melhor”: Esta Madre era melhor do que aquela outra.
Não confunda rascunho com esboço!
Rascunho
é o primeiro lançamento de linhas, as primeiras ideias de uma obra que se
materializa. Esboço é o rascunho mais perfeito, porém, não acabado. Ao escrever
um livro, seu autor primeiro colige as ideias e faz um rascunho. Quando lhes dá
forma, porém, não definitiva, diz-se que tem o esboço da obra pronto.
Secreto e Clandestino (Diferença)
Secreto
é tudo aquilo que ninguém conhece ou sobre o qual sabem. Clandestino é tudo que
se faz às escondidas, fora da lei, sem que ninguém o conheça. Assim, nem tudo o
que é secreto é clandestino, mas tudo o que é clandestino é secreto. O
clandestino sempre é ilegal. As sociedades ditas secretas nada mais são que
clandestinas, porque não têm amparo legal. Uma emissora de rádio pode ser
secreta e legal. A clandestina sempre será ilegal, funcionando sempre em lugar
ermo.
Antes de mais nada (Isso não é um exagero?)
Exagera quem só diz bobagem: o que você disse
(antes de mais nada) é uma grande bobagem, não significa absolutamente coisa
nenhuma essa expressão. Nem os filósofos contemporâneos a explicam. Por isso,
convém substituí-la por “antes de qualquer coisa” ou, então; “antes de tudo”.
Existe o deputado de Goiás, o deputado da Bahia?
Não.
Existe apenas deputado por Goiás, deputado pela Bahia. Assim como senador por
Goiás e senador pela Bahia. Deputado e senador regem “por” e não “de”.
(*)
Professor Antônio da Costa é graduado em Letras Plenas, com Especialização em
Língua Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). Contato:
(088) 99373-7724.

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