sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

POUCAS E BOAS – artemisiodacosta@hotmail.com (Do Jornal Correio da Semana - Sobral-CE - Sábado - 21.02.26)

 Santo de casa faz milagre, sim!

O feito da cientista e pesquisadora Dra. Tatiana Lobo Coelho de Sampaio da UFRJ, envolvendo a Polilaminina, tem ganhado repercussão nacional e mais por conta da repercussão mundial. Isso tem realmente destacado o devido valor à promissora conquista da brasileira. Com a pesquisa que vinha desenvolvendo há mais de vinte anos, Dra. Tatiana veio trazer esperança de regenerar lesões medulares e restaurar movimentos em pacientes paraplégicos e tetraplégicos. E resultados concretos já aparecem. 

Com a frase-título desse artigo não pretendo contestar o que se deduz do escrito em Marcos (6:4-5), mas busco aprofundar o conhecimento de sua lição. Nessa passagem do Evangelho lemos: "Só em sua própria terra, entre seus parentes e em sua própria casa, é que um profeta não tem honra. E não pôde fazer ali nenhum milagre, exceto impor as mãos sobre alguns doentes e curá-los”.

 

A afirmação acima visa, sim, também alertar para o quanto é imprescindível a fé e o apoio em quem realiza uma obra, independentemente de sua nacionalidade. E também procura deixar claro que com isso, e só com isso, torna-se possível a realização de grande quantidade de milagres e também realizar coi0sas tidas como impossíveis.  

Arrastando para nosso dia a dia, constata-se facilmente a identificação com o dito popular “Santo de casa não faz milagre” em muitas situações. Em algumas acarretando prejuízos pouco relevantes; em outros, inviabilizando projetos em benefício da humanidade inteira ou apenas de grupos afetados por algum problema. 

Nesse enfoque, a falta de mais reconhecimento e apoio aos talentos brasileiros nas diversas áreas do conhecimento humano têm impedido o destaque do Brasil na Literatura, na Ciência, etc. Em consequência, têm gerado a perda de valiosas patentes, reconhecimento internacional e a enorme evasão de cérebros privilegiados. 

Brasileiros e Nobel

Apesar de mais de trinta indicações, o Brasil jamais conquistou um Prêmio Nobel. Criado em 1901 e de caráter internacional, sua finalidade é reconhecer e prestigiar quem contribui para o progresso da humanidade e oferta ao ganhador cerca de R$ 6,5 milhões, além de Medalha de Ouro e Certificado. 

Para quem não sabe, alguns brasileiros que já foram indicados ao Prêmio: Adolfo Lutz (Medicina, 1938), César Lattes (Física, 7 vezes entre 1950-56), Carlos Chagas (Medicina, 1913, 1921), Dom Hélder Câmara (Paz, 4 vezes), Irmã Dulce (Paz, 1988), Jorge Amado (Literatura, 19 indicações), Manuel de Abreu (Medicina, 3 vezes), Maria da Penha (Paz, 2017), dentre outros. 

Vale destacar que, desde sua criação, já foram distribuídos mais de seiscentos Prêmios Nobel. Os EUA, seguidos do Reino Unido e Alemanha, lideram entre os que mais receberam essa tão cobiçada comenda. Na América Latina, Argentina ganhou 2, Chile (2), Colômbia (2), México (3) e Venezuela (1). Mas o Brasil ainda espera o seu primeiro. 

E por que não?

Agora, o que mais surpreende é uma das razões que têm contribuído para a não conquista do sonhado Prêmio Nobel por brasileiros. 

Aliado à falta atenção e reconhecimento aos grandes talentos pelos governantes, falta de mais investimentos, ou má aplicação de orçamento, associam-se imediatamente a falta de fé, de valorização e de apoio aos estudiosos brasileiros por parte principalmente das autoridades e até mesmo da população, que diante disso pouco se indigna ou quase não reage. Daí, mais uma vez entra em cena aquilo que sustenta o velho dito de “Santo de casa não faz milagre”.

Curto e grosso

Essa inércia nacional pode ser comprovada num simples episódio ocorrido num jantar de que participaram o brasileiro Ozires Silva, ex-presidente e fundador da Embraer, e três membros do comitê responsável pela indicação dos Prêmios Nobel. Ozires Silva o descreve, abaixo: 

"Em um jantar, em Estocolmo, eu vi que eu tinha, de repente, três membros do comitê que indica os prêmios Nobel. Daí, pergunta a eles: Por que o Brasil nunca ganhou o Prêmio Nobel? 

Eles não responderam imediatamente, porque acho que ficaram meio embaraçados, mas acho que, depois de umas doses de vodca e coisas desse tipo, um deles falou o seguinte: 'vou responder sua pergunta. Vocês brasileiros são destruidores de heróis.' Olha, foi uma pancada no estômago. Falei 'por quê?' Ele falou que todos os candidatos brasileiros que apareceram, contrariamente aos dos outros países, em particular os Estados Unidos, quando aparece um candidato brasileiro, todo mundo joga pedra do Brasil. Não tem apoio da população. Parece que o brasileiro desconfia do outro ou tem ciúmes do outro, sei lá o que acontece." Pena que é verdade. 

Vergonhoso!


Na questão da Polilaminina, Dra. Tatiane Sampaio responsabiliza a falta de recursos entre 2015 e 2016 (governo Michel Temer) pelo Brasil não realizado o patenteamento internacional. Abriu-se, assim, espaço para que outros países utilizem a tecnologia aqui desenvolvida. Diz ela: “A internacional foi perdida e nunca mais recupera. Não pode refazer, não pode reapresentar. Podem copiar à vontade”.

Já a patente nacional só se efetivou porque a própria pesquisadora arcou temporariamente com os custos: “Eu paguei do meu bolso por um ano para poder não perder”, relatou. É uma lástima!

 

Sem dúvida, o triste desfecho da conversa acima e o da perda da patente internacional da Polilaminina deveriam funcionar como uma estocada de alerta na sociedade em geral. Que suscitem questionamento por todos os brasileiros: autoridade ou não, exercendo mandado eletivo ou não, e também por quem se autoproclama educador, comunicador, formador de opinião, influenciador digital ou simplesmente quem se identifica com o verdadeiro e equilibrado sentimento de brasilidade.

 

Reviravolta


Lançando mãos desses instrumentos, passaremos visualizar e a privilegiar mais quem realmente merece; deixaremos o mau hábito de nos iludir por efêmeros e duvidosos “famosos” (jogadores, artistas, cantores e alguns políticos e até religiosos). Por outro lado, passaremos a investir em “heróis de verdade”, cujos feitos se eternizam por beneficiar a humanidade. Desse modo, virará hábito reconhecer, valorizar e fazer jus a quem realmente merece.

 

Assim, quem sabe já neste outubro teremos mais uma indicação de brasileiro à comenda, que será entregue em dezembro deste ano. Tudo depende de acreditarmos que “Santo de casa faz milagres, sim!” e se agirmos para isso acontecer. No caso aqui destacado, sempre confiantes no trabalho e no esforço da nossa notável pesquisadora.

 

Com sua Polilaminina, Dra. Tatiana Lobo Coelho de Sampaio já está obrando o “milagre” de fazer muitos voltarem a andar. Ganhando o Prêmio Nobel de Medicina 2026, a cientista fará andar também a fila dos brasileiros capazes de arrebatar mais Nobéis para o Brasil.

 

Parabéns a essa grande Benfeitora! Muito obrigado! A humanidade lhe agradece!

 

Viva a Doutora Tatiana Lobo Coelho de Sampaio!

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