O
quadro preocupante sobre a saúde mental dessa população inclui
ainda 42,9% dos alunos que responderam que se sentem “irritados, nervosos
ou mal-humorados por qualquer coisa” e 18,5% que pensam sempre, ou na maioria
das vezes, que “a vida não vale a pena ser vivida”.
Onde buscar ajuda
Adolescentes e seus responsáveis ou quaisquer pessoas com pensamentos e
sentimentos de querer acabar com a própria vida devem buscar acolhimento em sua
rede de apoio, como familiares, amigos, educadores e também em
serviços de saúde.
De acordo com o
Ministério da Saúde, é muito importante conversar com alguém de
confiança e não hesitar em pedir ajuda, inclusive para buscar
serviços de saúde.
Serviços de saúde
que podem ser procurados para atendimento:
Centros de Atenção
Psicossocial (Caps) e Unidades Básicas de Saúde (Saúde da família, Postos
e Centros de Saúde);
UPA 24H, SAMU 192,
Pronto Socorro; Hospitais;
Centro de
Valorização da Vida – 188 (ligação gratuita).
O Centro de
Valorização da Vida (CVV) realiza apoio emocional e prevenção
do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e
precisam conversar, sob total sigilo, por telefone (188), e-mail, chat e voip 24 horas
todos os dias.
Desamparo
Apesar da gravidade dos números, menos da metade dos alunos frequentava
uma escola que oferecia algum tipo de suporte psicológico, proporção que sobe para
58,2% na rede privada e cai para 45,8% na pública.
A presença de
profissional de saúde mental no quadro de funcionários da escola era ainda mais
rara, sendo disponível a apenas 34,1% dos estudantes.
A pesquisa também traz informações sobre a relação desses adolescentes com suas famílias e comunidades, e 26,1% dos estudantes disseram sentir constantemente que “ninguém se preocupa” com eles.
Pouco mais de um
terço dos alunos também achava que os pais ou responsáveis não entendiam seus
problemas e preocupações e 20%
contaram que foram agredidos fisicamente pelo pai, mãe ou responsável, pelo
menos uma vez, nos 12 meses anteriores à pesquisa.
Saúde mental e
gênero
Em todos os
indicadores, os resultados entre as meninas são mais alarmantes do que
entre os meninos.
|
Fonte:
PeNSe/IBGE |
||
|
Resposta |
Meninas |
Meninos |
|
"Sentem-se
tristes sempre ou na maiorias das vezes" |
41% |
16,7% |
|
"Já tiveram
vontade de se machucar de propósito" |
43,4% |
20,5% |
|
"Se sentem
irritados, nervosos ou mal-humorados por qualquer coisa" |
58,1% |
27,6% |
|
"Pensam
sempre, ou na maioria das vezes, que a vida não vale a pena ser vivida" |
25% |
12% |
|
"Acham que
os pais ou responsáveis não entendem suas preocupações" |
39,7% |
33,5% |
|
"Acreditam
que ninguém se preocupa com eles" |
33% |
19% |
Autoagressões
A partir da
amostra, o IBGE calculou que cerca de 100 mil estudantes
brasileiros tiveram alguma lesão autoprovocada nos 12 meses anteriores à
pesquisa, o que equivale a 4,7% de todos que sofreram algum acidente ou
lesão no período analisado.
Entre eles, todos
os indicadores são consideravelmente mais altos:
- 73% se sentem
tristes de forma constante;
- 67,6% ficam
irritados ou nervosos por qualquer razão;
- 62% não veem
sentido na vida;
- 69,2% já
sofreram bullying.
As meninas também
apresentam maior proporção de lesões autoprovocadas. Entre aquelas que sofreram
algum ferimento, 6,8% se machucaram de propósito, contra 3% entre os
meninos.
“A criação de
políticas públicas que contemplem essas diferenças entre os sexos é importante
e urgente, para que as mulheres do país possam manter seu bem-estar e sua
capacidade inegável de contribuição para a economia, para a sociedade e para o
Estado brasileiro”, defendem os pesquisadores.
Imagem corporal
O nível de
satisfação com a própria imagem corporal caiu para todos os estudantes desde a
última edição da pesquisa, em 2019, de 66,5% para 58%. A situação é pior entre
as alunas.
Mais de um terço delas se disse insatisfeita com a própria aparência,
contra menos de um quinto dos meninos.
Além disso, apesar
de 21% das alunas se considerarem gordas ou muito gordas, mais de 31% revelaram
que estavam tentando perder peso. Ambas as proporções foram maiores entre o
gênero feminino.
(Ag. Brasil)

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