“É papel do presidente conversar com presidentes de
bancos. E isso está de acordo com a lei aprovada inclusive pelo Centro e pela
extrema direita que é a autonomia do Banco Central. Galípolo herdou vistas
grossas do presidente anterior, com pouca fiscalização”, aponta.
Além disso, Ramirez acredita que as declarações na
CPI reduzem a pressão sobre o planalto e pavimentam o caminho das investigações
do escândalo na direção da direita. Uma possível delação do presidente do
Banco Master, Daniel Vorcaro, pode prejudicar a popularidade de Flávio
Bolsonaro (PL-RJ), candidato à presidência.
“A candidatura de Flávio Bolsonaro é hoje mais
ameaçada do que a de Lula”, avalia. “Isso porque eu acho que à medida que as
investigações forem avançado, o abacaxi, a bomba deve explodir no colo dos
grupos de direita. Afinal de contas, [Daniel] Vorcaro financiou candidaturas
de Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, Nikolas Ferreira e de outros políticos que hoje
são deputados pelo PL, que é o partido de Bolsonaro.”
Ramirez aponta a contradição em torno da figura do
ministro Alexandre de Moraes, que acabou envolvido com o caso Master, já que
tanto ele quanto sua esposa, ao que as investigações indicam, tinham relações
com o banqueiro. “Ele foi importante para zelar pela democracia, mas por outro
lado jamais um membro do STF deveria ter relações milionárias com quem quer que
fosse, afinal, é um conflito de interesses”, aponta.
‘Rio de Janeiro é terra arrasada’
O Rio de Janeiro segue sem governador depois da
saída de Cláudio Castro. A gestão estadual segue sendo de responsabilidade
do presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), Ricardo Couto de
Castro. Para Ramirez, o estado está num labirinto sem saída e a grande questão
é avaliar se vale realizar uma eleição em ano eleitoral, já que um pleito
envolve gastos.
“Me parece que seria uma decisão até que razoável a
escolha por voto indireto, ou seja, que a Assembleia Legislativa do Rio de
Janeiro escolha um novo governador para esse mandato-tampão. O problema é
que seria uma eleição indireta em uma assembleia totalmente contaminada pela
corrupção, pelo envolvimento com milícia, tráfico de drogas, com casos de
violência, com eliminação de políticos, caso da Marielle, não há grau de
legitimidade dentro de uma assembleia corrupta”, afirma.
“O que a gente vive no Rio de Janeiro é a total
falência da política daquele estado. É um cenário de terra arrasada do ponto de
vista político”, diz.
(Brasil de Fato)

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