sexta-feira, 10 de abril de 2026

CASO MASTER: ‘Candidatura de Flávio Bolsonaro é mais ameaçada do que a de Lula’, avalia cientista político

O depoimento do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, na CPI do Crime Organizado reforçou que a atuação do governo Lula com relação ao Banco Master foi estritamente técnica e fortalece a narrativa de autonomia do órgão.

Essa é a avaliação do cientista político Paulo Niccoli Ramirez, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

“É papel do presidente conversar com presidentes de bancos. E isso está de acordo com a lei aprovada inclusive pelo Centro e pela extrema direita que é a autonomia do Banco Central. Galípolo herdou vistas grossas do presidente anterior, com pouca fiscalização”, aponta.

Além disso, Ramirez acredita que as declarações na CPI reduzem a pressão sobre o planalto e pavimentam o caminho das investigações do escândalo na direção da direita. Uma possível delação do presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro, pode prejudicar a popularidade de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à presidência.

“A candidatura de Flávio Bolsonaro é hoje mais ameaçada do que a de Lula”, avalia. “Isso porque eu acho que à medida que as investigações forem avançado, o abacaxi, a bomba deve explodir no colo dos grupos de direita. Afinal de contas, [Daniel] Vorcaro financiou candidaturas de Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, Nikolas Ferreira e de outros políticos que hoje são deputados pelo PL, que é o partido de Bolsonaro.”

Ramirez aponta a contradição em torno da figura do ministro Alexandre de Moraes, que acabou envolvido com o caso Master, já que tanto ele quanto sua esposa, ao que as investigações indicam, tinham relações com o banqueiro. “Ele foi importante para zelar pela democracia, mas por outro lado jamais um membro do STF deveria ter relações milionárias com quem quer que fosse, afinal, é um conflito de interesses”, aponta.

‘Rio de Janeiro é terra arrasada’

O Rio de Janeiro segue sem governador depois da saída de Cláudio Castro. A gestão estadual segue sendo de responsabilidade do presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), Ricardo Couto de Castro. Para Ramirez, o estado está num labirinto sem saída e a grande questão é avaliar se vale realizar uma eleição em ano eleitoral, já que um pleito envolve gastos.

“Me parece que seria uma decisão até que razoável a escolha por voto indireto, ou seja, que a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro escolha um novo governador para esse mandato-tampão. O problema é que seria uma eleição indireta em uma assembleia totalmente contaminada pela corrupção, pelo envolvimento com milícia, tráfico de drogas, com casos de violência, com eliminação de políticos, caso da Marielle, não há grau de legitimidade dentro de uma assembleia corrupta”, afirma.

“O que a gente vive no Rio de Janeiro é a total falência da política daquele estado. É um cenário de terra arrasada do ponto de vista político”, diz.

(Brasil de Fato)

 

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