A obrigatoriedade do Adas nos carros fabricados a partir de 2029
é uma resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), órgão vinculado ao
Ministério dos Transportes.
O
desenvolvimento nacional acontece no Senai Park de Suape, no litoral de
Pernambuco. A estrutura é uma espécie de “berçário de tecnologias” mantido
pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de Pernambuco (Senai PE).
O
diretor de Inovação e Tecnologia do Senai-PE, Oziel Alves, explica que os sensores serão
capazes de detectar obstáculos e outros veículos em diferentes distâncias,
funcionando em conjunto com câmeras.
“Na
prática, os sistemas de frenagem automática combinam radar e câmera para tomar
decisões mais seguras”, pontua.
Ele
detalha que o radar é responsável por detectar objetos à frente e medir, com
precisão, a distância e a velocidade, enquanto a câmera complementa essas
informações, ao identificar o tipo de objeto, como um carro ou uma pessoa.
“Com essas duas informações integradas, o sistema consegue avaliar o risco de colisão de forma mais completa e tomar, de maneira autônoma, a decisão de acionar a frenagem automaticamente”, descreve.
Alves
assinala que esse processo é conhecido como “percepção e fusão sensorial”.
“Aumenta
a confiabilidade do sistema, pois combina diferentes perspectivas para melhorar
a percepção do ambiente e reduzir erros”, completa.
No
Senai Park, os desenvolvedores terão recursos como inteligência artificial e
gêmeos digitais (réplica virtual de um objeto ou sistema), o que permite
acelerar testes e validações sem depender exclusivamente de protótipos físicos.
Menos
dependência externa
O
desenvolvimento de um sistema nacional é uma forma de o país diminuir a
dependência tecnológica externa.
“Ao
desenvolver localmente soluções como o radar proposto neste projeto, o Brasil
amplia seu know-how (saber
como fazer, em inglês) em tecnologias críticas, forma profissionais
especializados e cria uma base de engenharia mais madura”, avalia Alves.
Na
visão do diretor, o desenvolvimento traz reflexos diretos da indústria, como
“maior autonomia para desenvolvimento, redução gradual dos custos associados à
importação e aumento da competitividade das montadoras e fornecedores locais”.
O
presidente da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), Bruno
Veloso, classifica a iniciativa como “soma de esforços da indústria
automobilística”.
“Temos
empresas e instituições de pesquisa e desenvolvimento juntas aqui. É só com
essa soma de conhecimentos que estaremos prontos para enfrentar os nossos
desafios”
A
diretora regional do Senai PE, Camila Barreto, chama o esforço para diminuir a
dependência externa de “tropicalizar tecnologias”.
“Temos
um parque tecnológico, o Senai Park, para implantar todos esses projetos. É lá
que a bateria de lítio vai ser desenvolvida”, diz ela, em referência ao
armazenamento de energia essencial para a crescente frota de carros híbridos e
elétricos.
(Ag. Brasil)


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