No
Recife, município em que é copadroeiro ao lado de Nossa Senhora do Carmo, o
santo também dá nome a um bairro no coração da cidade. Por lá, na rua do
Imperador, também batiza um convento, que vem há 13 dias — a chamada trezena —
realizando missas e louvores em sua homenagem, culminando em uma procissão
neste sábado (13) pelo centro da cidade.
O Frei
Edilson, guardião do mencionado Convento de Santo Antônio, considera que foi
construída ao longo da história uma proximidade mais íntima entre o santo e a
população brasileira, o que ajuda a explicar sua popularidade. “Existe uma
relação de amizade das pessoas com ele. É um santo que sempre foi muito
celebrado nas casas, por exemplo, mas fomos perdendo a cultura de reunir a família
para entoar seus cânticos próprios, que acabam sendo esquecidos porque ninguém
registrou”, afirma Frei Edilson.
Com sua
popularização no país, veio também sua fama de “santo casamenteiro”. As origens
dela remontam aos tempos em que ele ajudava a organizar os dotes para moças
solteiras de origem humilde conseguirem casar. A partir do sincretismo
religioso que acontece no país, em que o santo é ligado a Exu na Umbanda e a
Ogum no Candomblé, vieram as simpatias para relacionamentos, sendo a mais
notória colocar sua imagem de cabeça para baixo dentro de um copo d’água.
“Não é
algo que parte da Igreja Católica. Mas a igreja deixa todos muito livres para
expressarem seus modos de devoção”, afirma o Frei Edilson. São hábitos que
partem justamente de uma relação de amizade que o povo estabeleceu com o santo.
Ele relembra que a brasileira Irmã Dulce, hoje Santa Dulce dos Pobres, via
Santo Antônio como um amigo, colocando-o de costas ou negando agrados quando
ele não a ajudava a resolver situações ligadas ao cuidado com os pobres. Mas,
quando ele providenciava, ela tinha maior gosto em oferecer o que havia
prometido ao santo.
Frei
Edilson explica que, na tradição católica, é São José quem, na verdade, é mais
ligado à questão do “enamoramento”, sendo Santo Antônio responsável por
aspectos mais de organização da vida matrimonial. “As pessoas pedem muito nesse
sentido porque ele, de fato, intercede, não deixa ninguém desamparado. Como ele
também é um santo ligado às coisas perdidas, há muitos pedidos de intercessão
em momentos de separação, visando a reconciliação, quando as pessoas acreditam
que seu par foi uma bênção de Santo Antônio”, relata o frei.
O
padroeiro do Recife também está diretamente ligado ao cuidado com os mais
pobres. Conta a tradição que ele tinha o costume de levar pães do convento aos
mais humildes e adoentados. E, ao retornar, via as cestas de pão novamente cheias,
conseguindo alimentar tanto os necessitados quanto os frades. O Convento de
Santo Antônio dá continuidade a esses cuidados neste momento de celebração.
Em uma
parceria com o Instituto Leopoldo Lopes, a Igreja vem acolhendo mulheres em
situação de rua e vulnerabilidade social em oficinas para produção das
decorações do andor do santo a partir de garrafas PET. As atividades são
conduzidas pelo artesão Leopoldo Lopes. “Santo Antônio tinha palavras muito
duras em relação às pessoas que tinham dinheiro e poder. Ele acreditava que
essas pessoas precisavam buscar uma vida correta, procurar ser parte da solução
da miséria — ou teriam uma vida desfalecida”, conclui o Frei Edilson.
(Brasil de Fato)


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