Antes do início da solenidade, o religioso levou o
ministro da Saúde, Alexandre Padilha, para conhecer as instalações da casa,
incluindo a padaria que produz diariamente pães para a população vulnerável da
região.
“Esta casa foi construída pelo cardeal Dom Paulo
Evaristo Arns e foi construída com os recursos que ele recebeu dos budistas”,
relembrou o padre Júlio Lancellotti durante a apresentação.
A nova diretriz estabelece parâmetros para garantir
o atendimento contínuo, integral e humanizado às pessoas que vivem em situação
de rua no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Como parte da estratégia de
implementação da política, o governo federal anunciou o repasse de veículos
adaptados a 400 municípios, com o objetivo de romper barreiras geográficas e
levar as equipes de saúde diretamente aos territórios de maior vulnerabilidade.
Matheus Santos, representante da Casa de Oração,
celebrou a iniciativa, mas ressaltou a urgência do atendimento na ponta: “A
realidade da rua é complexa, a rua tem pressa e hoje a gente enfrenta um limbo
institucional doloroso aqui na nossa cidade.” Ele defendeu ainda que pensar a
saúde de quem está na rua não pode ser uma ação isolada, exigindo articulação
direta com a assistência e a moradia.
A medida integra um pacote de investimentos somando
diversas frentes, sendo que apenas o Ministério da Saúde destinou R$ 144
milhões para a compra dos veículos adaptados, além de R$ 85 milhões anuais para
manutenção e R$ 30 milhões para expansão da rede. O montante global inclui
ainda R$ 46 milhões do Ministério da Justiça e Segurança Pública para
assistência jurídica e redução de danos.
Para o deputado estadual Paulo Fiorilo (PT), a ação
é um marco que devolve o respeito aos profissionais e pacientes. Ele ilustrou o
impacto das unidades móveis ao relembrar o depoimento de trabalhadoras do SUS:
“Antes a gente estava colhendo sangue na calçada
sem nenhuma relação de dignidade. E hoje a gente tem um consultório.” O evento
contou ainda com a presença de outras autoridades, como o deputado estadual
Eduardo Suplicy (PT).
A secretária de Atenção Primária à Saúde, Ana Luiza
Caldas, ressaltou que a criação da nova política é fruto de um longo processo
de escuta. “A gente consegue, com muita maturidade, agora em 2026, ter a
consolidação pactuada com movimentos sociais, pactuada com o Conselho Nacional
de Saúde, pactuada com secretarias de estado e municipais de saúde”, celebrou.
O avanço na cobertura do programa Consultório na Rua, que saltou de 173 para
335 equipes, foi destacado como um pilar da gestão.
Em seu discurso, o ministro Alexandre Padilha
detalhou a função das novas unidades entregues: “É toda uma estrutura de uma
unidade básica de saúde adaptada para estar na rua, levando os profissionais
até onde as pessoas estejam”.
Padilha enfatizou que os veículos possibilitarão a
realização de consultas, exames ginecológicos, coleta de sangue, testes rápidos
e curativos no próprio território, garantindo que o SUS chegue a quem mais
precisa.
Após o encerramento do ato formal, que contou com
espaço de fala e escuta de lideranças e movimentos sociais locais, foi
realizado um momento de convivência entre os presentes. Na sequência, a equipe
do Ministério da Saúde e os frequentadores do espaço permaneceram na Casa de
Oração para acompanhar a partida da Seleção Brasileira contra a Escócia, pela
terceira rodada da fase de grupos da Copa do Mundo.
(Brasil de Fato)

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