O primeiro tremor de magnitude 7,2 na escala Richter atingiu a região da costa central do país, informou o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês).
O terremoto ocorreu às 18h04 no horário local e teve seu epicentro próximo à cidade de San Felipe, no estado de Yaracuy, cerca de 280 quilômetros a oeste de Caracas.
Pouco depois, o
USGS registrou um segundo terremoto, ainda mais forte, de magnitude 7,5. O
epicentro foi localizado próximo ao município de Yumare, um pouco mais ao norte
do epicentro inicial. Segundo o USGS, o intervalo entre os dois tremores foi de
39 segundos.
Delcy Rodríguez
disse que os Estados de Caracas, La Guaira, Miranda, Aragua, Carabobo e
Falcón foram afetados pelos terremotos e por
mais de 20 tremores secundários. Diante da situação, foi decretado estado de
emergência.
Rodríguez mencionou
"graves consequências" e manifestou solidariedade às famílias que
possam ter perdido entes queridos.
Mais de 100
edifícios desabaram no Estado de La Guaira, segundo o Escritório das Nações
Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários.
A presidente
autorizou o envio de todas as equipes da ONU de busca e resgate urbano para
oferecer apoio logístico e outras formas de assistência a outras equipes que
estão chegando. As equipes internacionais concentrarão suas atividades em La
Guaira e Caracas, enquanto as demais áreas da Venezuela estão sendo atendidas
pela defesa civil e por equipes locais.
Rodríguez confirmou
que a Venezuela espera receber equipes de resgate dos Estados Unidos, República
Dominicana, El Salvador, México e Catar ao longo desta quinta-feira (25/06) e
agradeceu aos governos estrangeiros pela solidariedade.
"Estamos
empenhados em árduos esforços de resgate para salvar as vidas que Deus nos
permitir salvar", disse ela.
O secretário de
Estado dos EUA, Marco Rubio, disse nesta quinta-feira que conversou com a
presidente interina Delcy Rodríguez e prometeu que a resposta dos EUA aos terremotos
na Venezuela será "grande, rápida e eficaz".
Ele disse que os
EUA já estão mobilizando equipes de busca e resgate da Virgínia e de Los
Angeles, acrescentando que a Venezuela precisará de muita ajuda nas buscas em
prédios que desabaram. Rubio afirmou que o aeroporto de Caracas sofreu danos e que uma de suas
pistas apresenta rachaduras.
O governo da
Alemanha afirmou que está pronto para enviar seis aeronaves militares para
auxiliar nos esforços de socorro. A Suíça enviará 80 socorristas, oito cães de
resgate e 18 toneladas de equipamentos.
A Holanda também
anunciou que destinará 2 milhões de euros para enviar uma equipe de resgate à
Venezuela. Espanha e França também se ofereceram para enviar equipes de
resgate.
Imagens registradas
em Caracas e La Guaira mostram diversos edifícios desabados e muitos outros com
sérios danos estruturais. O alerta emitido pelo USGS indica a possibilidade de
vítimas fatais e perdas econômicas significativas.
O tremor levou à
evacuação de numerosos prédios na capital, e milhares de pessoas permaneceram
nas ruas por medo de novas réplicas.
Segundo o
Itamaraty, os terremotos também foram sentidos na Região Norte,
em áreas do território brasileiro próximas à fronteira com a Venezuela.
O governo
brasileiro expressou pesar pelas perdas causadas pelos terremotos.
"O Brasil
manifesta sua solidariedade ao governo e ao povo da Venezuela e deseja uma
rápida recuperação aos feridos", disse o Itamaraty, em nota. O governo do
Brasil disse que os brasileiros afetados devem entrar em contato com a
embaixada brasileira pelo telefone +58 414-3723337.
O prefeito de
Belém, Igor Normando, afirmou que prédios chegaram a ser esvaziados em algumas
áreas da cidade como precaução, mas não houve danos ou vítimas.
"Seguimos
monitorando a situação e adotando todas as medidas necessárias para garantir a
segurança da população", acrescentou.
Em seu
pronunciamento, Delcy Rodríguez agradeceu a líderes de diversos países,
inclusive ao presidente dos EUA, Donald Trump.
Trump havia escrito
anteriormente na rede Truth Social que os EUA "estão prontos, dispostos e
aptos a ajudar", acrescentando que havia "orientado todas as agências
do nosso governo a se prepararem para agir rapidamente".
Nas redes sociais,
Rodríguez acrescentou à sua expressão de gratidão que "a Venezuela jamais
esquecerá a mão amiga estendida ao nosso povo nestes tempos difíceis".
O Serviço Geológico
dos EUA afirmou que é provável que haja um elevado número de vítimas e danos
extensos na Venezuela.
"É provável
que o desastre seja generalizado", e fortes tremores secundários podem
ocorrer na sequência, segundo o USGS.
De acordo com a
agência, há 44% de probabilidade de mais de 10 mil mortes e 30% de chance de
ultrapassar 100 mil.
Existe também um
risco significativo de deslizamentos de terra e de liquefação do solo. A
liquefação é um fenômeno que afeta sedimentos pouco compactados durante um
terremoto e assemelha-se a um deslizamento lateral de terra.
Alertas de tsunami e aeroporto fechado
Após os terremotos,
alertas de tsunami foram emitidos para a Venezuela, Aruba e Bonaire, além de
avisos preventivos para Porto Rico e as Ilhas Virgens Britânicas, de acordo com
o Sistema de Alerta de Tsunamis dos EUA. Posteriormente, todos esses alertas
foram cancelados.
O ministro do Interior,
Diosdado Cabello, informou que equipes de segurança, proteção civil, bombeiros,
policiais e voluntários foram mobilizadas para atender às áreas afetadas.
Ele recomendou que
a população evacuasse edifícios devido ao risco de novas réplicas e relatou situações
críticas em bairros de Caracas, como Los Palos Grandes e Altamira.
O prefeito do
município de Chacao, Gustavo Duque, informou o desabamento de um prédio de oito
andares e outro de doze andares. Segundo ele, 18 pessoas foram resgatadas com
vida.
Como medida
preventiva, o fornecimento de gás natural foi interrompido nas regiões afetadas
para evitar acidentes.
Além disso, houve
cortes de energia elétrica, falhas na internet, suspensão das operações do
metrô de Caracas, interrupções em linhas ferroviárias e problemas no
abastecimento de água em várias localidades.
Em La Guaira, o
hotel Eduard's, de dez andares, desabou. As imagens do hotel destruído foram
checadas pela BBC Verify, a equipe de verificação de dados da BBC.
Em pronunciamento
durante a noite, o governo venezuelano anunciou o fechamento do Aeroporto
Internacional Simón Bolívar de Maiquetía, principal terminal aéreo que atende à
região de Caracas.
A presidente
interina Delcy Rodríguez confirmou que o aeroporto sofreu "danos
graves" em sua infraestrutura e que as operações foram suspensas por tempo
indeterminado.
Vídeos divulgados
nas redes sociais mostraram momentos de pânico no Aeroporto Internacional de
Maiquetía, onde dezenas de pessoas correram enquanto o terremoto acontecia.
A presidente
interina pediu calma e união à população e anunciou a criação de um gabinete de
crise composto por altos funcionários do governo.
"A primeira
mensagem para nossa população é manter a união para salvar vidas",
declarou em pronunciamento nacional.
O governo anunciou
ainda a suspensão das aulas e das atividades econômicas não essenciais nos
próximos dias.
'O mais forte que senti na vida'
"Foi o tremor
mais forte que senti na minha vida", diz Nicole Kolster, jornalista e
colaboradora da BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC.
Ela mora no 7º
andar de um apartamento no bairro Los Palos Grandes, no centro de Caracas, onde
o terremoto foi sentido com intensidade.
"Começou a
tremer, vi como as janelas se moviam, e o que me ocorreu fazer foi me colocar
entre a porta de entrada e uma parede de pedra, que, na minha opinião, é
bastante resistente, para tentar me proteger", relata Kolster.
Ela permaneceu ali
"por um bom tempo", até que ouviu os vizinhos gritarem para que
descesse à rua.
"É a primeira
vez em 37 anos que sinto um tremor dessa magnitude. Foi tão forte que pensei
que o prédio fosse cair sobre mim", relata, enquanto conta à BBC News
Mundo que, entre os escombros de um edifício desabado, é possível ouvir pessoas
pedindo socorro.
Nas fotos e vídeos
compartilhados, vê-se os vizinhos na rua, alguns chorando, outros abraçados.
Diversos edifícios
foram evacuados na capital. Uma testemunha relatou à Reuters que o tremor
causou rachaduras em seu apartamento e que os vidros se quebraram.
"O prédio
estava balançando. A polícia me ajudou a descer porque eu não conseguia",
disse María Romero, uma aposentada de 80 anos que vive no sul de Caracas.
O USGS alerta que
novas réplicas, potencialmente fortes, ainda podem ocorrer nas próximas horas
ou dias.
Cabello confirmou à
televisão estatal que casas e edifícios desabaram em consequência do terremoto
e acrescentou que "todos os órgãos de segurança e assistência, proteção
civil, voluntários, bombeiros e policiais estão mobilizados".
O ministro pediu a
todos os venezuelanos nas áreas afetadas que evacuem os edifícios para
permanecerem em segurança em caso de novas réplicas e fez um apelo por calma.
Sobre a capital,
informou que "há várias áreas em situação complicada", na zona leste
da cidade, como os bairros de Los Palos Grandes e Altamira, onde "há
situações alarmantes" devido ao desabamento de construções.
Pior terremoto desde 1900
Um dos terremotos
da noite de quarta-feira foi o mais forte registrado no país desde 1900,
segundo dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos.
O primeiro
terremoto teve magnitude de 7,2 registrada pelo USGS, seguido por um segundo
tremor de magnitude 7,5 menos de um minuto depois.
O catálogo de
terremotos da agência governamental indica que um terremoto de magnitude 7,7
atingiu as proximidades da costa da Venezuela em 29 de outubro de 1900, evento
conhecido como o terremoto de San Narciso.
Um dos fatores
cruciais que determinam o impacto de um terremoto na população é a profundidade
em que ele ocorre em relação à superfície da Terra.
Um terremoto
acontece quando duas partes da Terra se deslocam repentinamente uma em relação
à outra, liberando uma grande quantidade de energia. Quando essa energia chega
à superfície, provoca tremores no solo.
Quanto mais próximo
da superfície, mais intensos são os tremores e maior o potencial de danos.
Os dois terremotos
em rápida sucessão de quarta-feira foram muito superficiais, ocorrendo a menos
de 30 km de profundidade.
Solidariedade mundial
Líderes mundiais
estão manifestando seu apoio à Venezuela.
O presidente da
França, Emmanuel Macron, afirmou na rede social X sua solidariedade às vítimas,
aos seus entes queridos e às equipes mobilizadas no local.
O primeiro-ministro
da Espanha, Pedro Sánchez, declarou todo apoio da Espanha às pessoas na
Venezuela, acrescentando que seus pensamentos e os do país estão voltados para
as vítimas e suas famílias.
O porta-voz do
Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, disse em entrevista
coletiva que o país faria o possível para ajudar a Venezuela, acrescentando
que, até o momento, não havia relatos de vítimas chinesas.
O presidente de El
Salvador, Nayib Bukele, informou que 300 socorristas e paramédicos, juntamente
com 50 toneladas de equipamentos, medicamentos e suprimentos essenciais, estão
prontos para serem enviados do país a Caracas.
O gabinete do
presidente argentino Javier Milei afirmou que o presidente "expressa sua
mais profunda solidariedade ao povo venezuelano após os fortes terremotos que
atingiram a região costeira norte da Venezuela na quarta-feira".
"Independentemente
de quaisquer diferenças que possam existir entre nossos governos, o presidente
Javier G. Milei estende sua mão em solidariedade ao povo venezuelano diante de
um desastre natural que exige uma resposta de toda a comunidade
internacional."
A presidente do
México, Claudia Sheinbaum, expressou sua solidariedade ao povo venezuelano e
afirmou que a Venezuela solicitou apoio com equipes especializadas de resgate e
atendimento médico.
José Antonio Kast,
presidente do Chile, país com vasta experiência em terremotos, declarou que
ofereceu ao governo venezuelano assistência na coordenação do envio de ajuda
humanitária e na colaboração com as equipes de resgate para lidar com a
emergência causada pelo terremoto.
(Fonte: BBC)




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