Não confunda falar com dizer
Falar é simplesmente exprimir pela voz. Qualquer pessoa, em não sendo muda, fala. Um papagaio fala; uma criança de tenra idade fala; a maioria dos políticos fala em demasia. Dizer é expressar por meio de palavras (faladas ou escritas). Nem todo o mundo “diz”, caro leitor; a maior parte dos políticos, principalmente.
Há certo tipo de pessoas que falam, falam, falam, mas não dizem coisa nenhuma. Por isso mesmo, o verbo falar não deve ser usado assim: Ele falou que não ia mexer na Caderneta de Poupança; Ela fala que inflação vai baixar; Ninguém ouve o que ela fala... Em todas essas frases o verbo “falar” se substitui com vantagem pelo verbo “fazer”.
Não como peixe que tem espinho
Diga-se: Não como peixe que tem espinha. Muita gente boa confunde espinha com espinho. ESPINHA é o nome dado a certas hipófises ou eminências ósseas muito salientes. Peça óssea do corpo dos peixes que se formam no intervalo das massas musculares e que não possui homólogos entre os vertebrados terrestres.
ESPINHO – Estrutura vegetal pontiaguda que difere do acúleo por estar firmemente preso à planta; estrutura aculiforme que recobre o corpo dos animais como o ouriço e o porco-espinho.
Recorde (Recórdi)
A pronúncia à inglesa é “Record”, mas
a nossa língua ainda não é a inglesa, conforme pensam alguns locutores e
repórteres despreparados. Em São Paulo existe uma emissora de rádio e televisão
que se chama Record, escrita à inglesa. Nem por isso dizemos Rádio Récord, TV
Récord. Mas muitos locutores e repórteres do jornalismo brasileiro não
conseguem pronunciar “recórdi”, embora todos escrevam recorde.
Sou difícil de fazer amizade
A frase já se inicia por uma
incoerência, pois ninguém é difícil ou fácil de coisa alguma. O que é difícil
não é a pessoa, mas, sim, a ação de fazer amizade. Fazer amizade é difícil para
mim. O sujeito dessa frase é oracional - fazer amizade (suj.) e o predicativo é
“difícil”. O verbo é de ligação - “ser” ou as estranhas formas: É-me
difícil fazer amizade; Fazer amizade me é difícil.
Braguilha
É a abertura dianteira de veste tipo
calça, calção ou bermuda. Deve assim ser grafada a palavra. O termo
“barguilha” é grafia incorreta. A palavra provém do gaulês “bracas” (calças). Depois,
houve a transformação para “braga”, nascendo, então, o diminutivo
braguilha.
Alparcata
Há três formas corretas para a
designação desta espécie de calçado, cuja sola se ajusta ao pé por meio de
tiras de couro ou de algum tecido: alpercata (com “e”), alparcata (sem “e”),
por dissimilação e alpargata com “g”. Existem ainda as formas “apragata” e
“alpragata” usadas pelas pessoas incultas. Existe também a forma alparca,
desusada no Brasil. Alpargata é formação do basco (vasconço) “abarca” pelo
árabe al-bargat.
Por que muitos se referem a Salvador, capital da Bahia, como São Salvador?
Porque o Papa Júlio III, ao nomear o
primeiro bispo da cidade, D. Pero Fernandes Sardinha, escreveu na bula de
nomeação: São Salvador. E acabou ficando.
Qual a expressão coerente com a índole da nossa Língua: a rigor ou em rigor?
A expressão mais coerente com a
índole da nossa língua é, sem dúvida, em rigor, já que a rigor é cópia do
francês “à la riguer”. Os francesismos, assim como os anglicismos, porém, estão
já arraigados no nosso idioma, que hoje é impossível eliminá-los. Assim,
escolha a expressão que mais lhe convém e use-a sem nenhum receio.
(*) Professor Antônio da Costa é graduado em Letras Plenas, com Especialização em Língua Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). Contato: (088) 99373-7724.
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