Omertá
A terça-feira (11/08/2026) passou a figurar como uma das datas mais depreciativas e vergonhosas da história de Sobral. Naquele dia, a Polícia Federal e a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (FICCO-CE) deflagraram a Operação Omertá, que veio descortinar algo que já era investigado há algum tempo. Seu objetivo foi dar cumprimento a quatorze mandados de prisão preventiva (incluindo três vereadores), vinte e cinco de busca e apreensão e cinco medidas de afastamento cautelar de cargos públicos.
Culpado X Inocente
Em decorrência da Operação, investiga a suposta influência de uma organização criminosa nas eleições municipais de Sobral, em 2024 e 2026, continuam presos os vereadores Carlos do Calisto (PSB), Junim do Povo (Pode) e Mario Vicktor (União), com previsão de afastamento dos cargos por um prazo inicial de 180 dias, por decisão judicial. O nome - Operação Omertá - faz referência ao código de honra e silêncio da máfia italiana, que proíbe qualquer cooperação com as autoridades.
Torcida
O que tem causado admiração, embora em número pequeno de pessoas, é o questionamento sobre a culpabilidade ou não dos envolvidos. O julgamento popular oscila entre inocentes e culpados, variando não por conta da grave suspeita de corrupção, mas dependendo do grau de parentesco, de dependência financeiras ou de favores, de simpatia ou não com os envolvidos. Vira disputa de torcidas, como se fosse futebol. E, dessa forma, detecta-se que é pouco levada em conta uma das piores chagas desse país: a corrupção.
Nascedouro
Daí, nasce a condescendência, a conivência, o apoio e o consequente agravamento desse voraz mal social, econômico e político, cujo combate tem sido tão difícil e lento. Senão vejamos: Desde 2012 a organização Transparência Internacional divulga anualmente o IPC (Índice de Percepção da Corrupção), que é uma radiografia da corrupção que campeia diversos países. A escala utiliza a contagem de 0 a 100, ou seja: 0 é a nota do país considerado altamente corrupto; 100, a do muito íntegro.
Estático
Em alguns anos
experimentou-se uma queda deve-se, sendo um dos motivos o aperto das
investigações da Lava jato e de outras operações, que trouxe à tona maior
número de falcatruas. E mais uma vez, a situação do Brasil continua praticamente
estática, lamentável e preocupante. Em 2025, o país permaneceu com a segunda pior nota da
série histórica no Índice de Percepção da Corrupção (IPC), que mede como
especialistas e executivos enxergam o nível de corrupção no setor público.
Atingindo 35 pontos contra 34 de 2024, ficou na 107ª posição entre 182 países e
territórios avaliados.
Melhores e piores
Os países mais bem colocados em 2025 foram: Dinamarca (89 pontos), Finlândia (88 pontos) e Cingapura (84 pontos). Nas piores posições estão: Venezuela (10 pontos), Sudão do Sul (9 pontos) e Somália (9 pontos). Assim sendo, em termos de corrupção no Brasil, muita coisa ainda tem de ser descoberta, esclarecida e seus responsáveis postos na cadeia, depois, é claro, do devido ressarcimento dos prejuízos causados.
Mea culpa
Invariavelmente, quanto me deparo com alguém
discutindo as causas e o que fazer com tanta corrupção no País, insisto na
opinião de que a maioria dos brasileiros continua tentando enganar a si mesmo.
Continua tentando isentar-se de parte da culpa desse mar de lama em que imergiu
o País. E fazer um profundo e sincero “mea culpa” seria muito oportuno e
producente.
É claro que a classe política é a responsável pelos maiores mais abrangentes prejuízos. Enfim, é ela (a classe política) quem cuida da administração e quem vota as leis do país. Mas quem os colocou e coloca no poder? Quem ainda não se habituou a acompanhar o trabalho deles? Nós, povo.
Fechando os olhos
Agora, avalio que imputar toda a culpa da corrupção
somente aos políticos é o mesmo que visualizar o problema com óculos vencidos,
de forma parcial e até egoísta? E as outras categorias? E os corruptos que
consciente ou inconscientemente criamos no dia a dia? Dizer o quê?
A meu ver, praticamente todos contribuímos para o avanço da corrupção. Tornamo-nos corruptores toda vez que induzimos alguém a pequenos delitos, mentirinhas ou pedindo/exigindo que alguém “feche os olhos” diante de nossos erros. E isso ocorre frequentemente dentro de milhões de lares, quando filhos, inclusive menores, ou pessoas do convívio, são induzidos e até obrigados a praticar ilícitos.
Silêncio
E o que dizer do silêncio de milhões diante de atos de corrupção, governamental ou não? Refiro-me àqueles que se calam por opção ou, muitas vezes, em troca alguma vantagem, como um empreguinho, um perdão de dívida ou uns míseros reais. Pode-se, então, fazer alguma coisa e não somente esperar pela ação da justiça e da polícia? O que fazer antes que o povo comece a fazer justiça com as próprias mãos? Creio que todos podem e devem fazer sua parte.
“Somos todos corruptos”?
Por um lado, procurar impedir o surgimento de corruptores e corruptos dentro dos lares, evitando induzir inocentes a ações nada “inocentes”. Se essas já ocorreram, buscar corrigir seu fato gerador e não aceitar que seus agentes continuem sem punição, como se nada tivesse acontecido. Por outro, jamais calar e denunciar com responsabilidade; exigir providências imediatas e também cobrar insistentemente a criação de leis mais rigorosas, e que sejam fielmente cumpridas, uma vez que a condescendência da atual legislação é de levantar suspeita. Infelizmente, só aqui e acolá pune como deveria. E mais: de forma tão branda que chega até a estimular a reincidência ou o surgimento de novos corruptos. Dica de leitura: “Somos todos corruptos?”, de Mônica Rosenberg.
Coparticipação
Também se faz imprescindível uma plena
conscientização da população quanto a seus direitos e deveres. Depois, exigir a
coparticipação de toda sociedade na confecção das leis, eliminando o monopólio
dos políticos que cuidadosamente as criam visando beneficiar primeiramente a
eles próprios, resguardando direitos e brechas. Só depois disso é que vão
cuidar da lei como instrumento para trazer benefícios para a população.
Que a população insista em fiscalizar mais o cumprimento efetivo das leis, a fim de que punam corruptos não apenas com prisões, mas também que exijam o ressarcimento pecuniário (em dinheiro) e moral (se for o caso) de todo o prejuízo que corruptos causarem. Quem sabe, passe a servir de exemplo. Ah! Quanto à pergunta do cabeçalho (Corruptos e corruptores: Serei mais um?), deixemos a resposta por conta da consciência de cada leitor. Lembrete: No íntimo de cada um de nós ela sempre emite seu sinal de alerta.
Cansaço
Portanto, procure escutar ao máximo sua consciência
e lhe obedecer sempre, pois ela também cansa. Quando não é atendida, ela cansa.
Quando cansa, cala-se. E, calando-se, a corrupção e toda espécie de pecado
passam a ser normal para aquele indivíduo. Aí, meu amigo, é mais um
corrupto na praça.
Pense nisso!
Pérolas do Rádio
“Vinte cliente em quatro fila já espera desde 10 hora e 20 minuto e quatro caixa não consegue atender”. Assim um colega reclamava do atendimento bancário em Sobral. Notando a aversão do locutor ao uso do plural, um ouvinte irônico e zeloso pelo vernáculo disparou: “Taí um radialista singular”. E eu advirto: Também não é para sair plagiando o saudoso Mussum, dos Trapalhões, empurrando “s” em tudo que aparece pela frente, não.
DOMINGO NA EDUCADORA FM 107,5 -
SOBRAL-CE
ÁUDIO: https://www.radios.com.br/play/12869
ÁUDIOVÍDEO: https://www.facebook.com/educadoradonordestefm
NO YOUTUBE: Rádio Educadora FM 107.5
Neste domingo (16), das 10h30 às 12h30, PROGRAMA ARTEMÍSIO DA COSTA com notícias, reportagens, curiosidades, música de boa qualidade. DESTAQUE: Entrevista com Dr. FRANCISCO AMADEU PEREIRA JÚNIOR, Cirurgião Vascular e Endovascular, que falará sobre sistema circulatório, problemas de trombose, varizes e outros assuntos correlatos. Participe 3611-1550 // 3611-2496 // Facebook: Artemísio da Costa.
UM DOMINGO ABENÇOADO E DIVERTIDO!
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