🔎
Nesta reportagem, são considerados estreantes os candidatos que não aparecem em
eleições gerais ou municipais anteriores nas bases do TSE analisadas, de 1994 a
2024. Nos arquivos de 1994 e 1996, que não apresentam CPF ou título eleitoral
de forma utilizável, a checagem também considerou nome e data de nascimento.
Isso não significa necessariamente que essas pessoas nunca tenham participado
da política. Elas podem ter exercido cargos não eletivos, ocupado funções
partidárias ou concorrido antes de 1994.
A baixa presença de estreantes na disputa também
está ligada à forma como os partidos escolhem seus candidatos, aponta Luciana
Santana, professora de Ciência Política da Universidade Federal de Alagoas
(UFAL).
“As direções partidárias
acabam preservando algumas candidaturas para lideranças que já acumularam
cargos, têm visibilidade pública, redes políticas mais amplas e capacidade de
garantir financiamento”, explica.
Deputados concentram
estreantes; vice-presidente tem menor proporção
Mais de nove em cada dez estreantes concorrem aos
cargos de deputado estadual, federal ou distrital. Juntas, essas três disputas
reúnem 5.169 registros sem candidatura eleitoral anterior localizada, o
equivalente a 92,5% dos estreantes.
Infográfico
mostra a distribuição por cargo dos 5.962 candidatos de 2026 que disputam uma
eleição geral pela primeira vez desde 1994 — Foto: Arte/g1
A distribuição por cargo é:
- Deputado estadual: 2.923 estreantes entre 11.139 candidatos
(26,2%)
- Deputado federal: 2.016 entre 7.672 (26,3%)
- Deputado distrital: 230 entre 426 (54%)
- Segundo suplente de senador: 137 entre 319 (42,9%)
- Primeiro suplente de senador: 128 entre 318 (40,3%)
- Vice-governador: 70 entre 197 (35,5%)
- Senador: 45 entre 315 (14,3%)
- Governador: 34 entre 196 (17,3%)
- Presidente: 3 entre 13 (23,1%)
- Vice-presidente: 1 entre 13 (7,7%)
Deputado estadual é o cargo com o maior número
absoluto de estreantes. Em termos proporcionais, porém, a maior presença está
na disputa para deputado distrital: 54% dos candidatos ao cargo não haviam
concorrido anteriormente.
Na outra ponta, os menores números absolutos
aparecem nas candidaturas a vice-presidente, com um estreante; presidente, com
três; governador, com 34; senador, com 45; e vice-governador, com 70.
A disputa para vice-presidente também tem a menor
proporção de estreantes, com 7,7%. Em seguida aparecem senador, com 14,3%;
governador, com 17,3%; e presidente, com 23,1%.
Novo reúne mais estreantes;
Missão lidera proporcionalmente
O Missão está entre os partidos mais recentes do
país. O registro da sigla foi aprovado pelo TSE em 4 de novembro de 2025, menos
de um ano antes das eleições de 2026, sua primeira disputa eleitoral nacional.
As maiores proporções de estreantes entre os
partidos são:
- Missão: 77,4%
- UP: 62,2%
- Democrata: 40,2%
- PRTB: 40%
- PCO: 38,4%
- Novo: 35,9%
- Rede: 34,6%
Os menores percentuais aparecem no PT,
com 17,1%; no PP, com 17,7%; no PL,
com 19,1%; e no União Brasil, com 19,5%.
Percentual de estreantes é
maior entre as mulheres
Entre as 7.214 candidaturas femininas, 2.637 são de estreantes, o equivalente a 36,6%.
Entre os homens, são 3.325 estreantes em
um universo de 13.468 candidatos, o que representa 24,7%.
As mulheres correspondem a 34,9% de todos os
candidatos de 2026, mas representam 44,2% do grupo que não havia disputado uma
eleição desde 1994.
O percentual mais alto de estreantes entre as
mulheres pode estar relacionado às barreiras históricas que dificultaram a
construção de carreiras eleitorais femininas anteriormente, avalia Hannah
Maruci, cientista política pela USP.
“Quando as mulheres chegam à
disputa, estamos olhando para o final de uma trajetória de sub-representação e
de barreiras que começaram muito antes, inclusive para definir quem é
considerado um nome viável para ocupar posições de poder”, afirma.
São Paulo tem mais
estreantes; DF lidera proporcionalmente
São Paulo concentra o maior número absoluto de
candidatos sem participação eleitoral anterior localizada. São 678 estreantes,
o equivalente a 26,2% dos 2.590 registros do estado.
Os maiores números estão em:
- São Paulo: 678 estreantes
entre 2.590 candidatos (26,2%)
- Rio de Janeiro: 594 entre
2.017 (29,4%)
- Minas Gerais: 450 entre 1.811
(24,8%)
- Distrito Federal: 335 entre
651 (51,5%)
- Bahia: 315 entre 1.206
(26,1%)
Proporcionalmente, o Distrito Federal ocupa o
primeiro lugar: 51,5% dos candidatos não haviam disputado uma eleição desde
1994.
Depois aparecem Amapá, com 34,3%; Piauí, com 32,8%;
Roraima, com 31,5%; Acre, com 29,9%; e Rio de Janeiro, com 29,4%.
As menores proporções estão em Mato Grosso do Sul,
com 21,2%, e no Rio Grande do Sul, com 21,9%.
(g1)

Nenhum comentário:
Postar um comentário