sexta-feira, 11 de setembro de 2026

DE OLHO NA LÍNGUA - Prof. Antônio da Costa (DO JORNAL CORREIO DA SEMANA - SOBRAL-CE - SÁBADO - 12.9.26)

Sou “de” menor / Sou “de” maior

Ninguém é “de” menor, nem “de” maior. Na língua culta ou mais cuidada existe o menor de idade e o maior de idade. Portanto, diga sempre, como gente grande: Sou menor, ou, então, como gente que entende: Sou maior. No registro coloquial, todavia, só se encontra “de” menor e “de” maior. Um dicionário (Aquele) abona as expressões impugnadas. Compreende-se.

Torcer “para” o Vasco

Torcedor que se preza torce “por” seu time, e não “para” seu time. Por isso, é melhor torcer pelo Vasco, pelo Fluminense, pelo Cruzeiro, pela Seleção Brasileira, etc. Manchete de uma gazeta paulistana: “Marcelo Teixeira diz que vai torcer ‘para’ o Japão no jogo de hoje contra o Brasil. Como seria bom se todos torcêssemos ‘pelo’ Brasil! 

Sonhar um sonho

Não há erro algum em construção em que o objeto possui o mesmo radical do verbo que ele complementa, desde que o núcleo do objeto esteja especificado por um adjetivo, a fim de evitar um pleonasmo. Nesses casos, o objeto direto recebe o nome de objeto direto interno ou intrínseco. Exs.: Viver uma vida de rei; Hoje sonhei um sonho estranho. 

“O jogador caiu e patinou no campo”. “Patinou” está correto?

Não. Diga com acerto: O jogador caiu e “patinhou” no campo. Só patina quem anda em patins. “Patinhar” é agitar a água como fazem os patos. 

Imprensa escrita, Imprensa falada, Imprensa televisada (ou televisionada)

Embora já bastante vulgarizadas e acolhidas em dicionários, estas expressões pecam pela impropriedade de adjetivação. Diga-se, apenas, imprensa (com referência a jornais, livros e revistas), rádio, televisão. Para designar o conjunto dos processos escritos e eletrônicos de divulgação de informações, prefira-se meios de comunicação ou veículos de informação. 

Eu não sei nada / Eu não sei de nada (Qual a diferença?)

Existe uma diferença muito sutil, e o nosso espírito logo a percebe. “Quem não sabe nada”, nunca foi instruído em nada, é, assim, um ignorante das coisas. “Quem não sabe de nada”, por outro lado, ainda não tomou conhecimento dos fatos. Um ministro de Estado, por exemplo, jamais poderá dizer “Eu não sei nada”, mas a maioria deles vive dizendo “Eu não sei de nada...”. 

Músico e musicista (Qual a diferença?)

Músico é o que toca algum instrumento musical e também o que canta ou compõe canções. Exs.: Tom Jobim era um grande músico; Chico Buarque é um extraordinário músico. Musicista é o que aprecia a música, o que ama a música, sem necessariamente ser um músico. Todos somos musicistas. Basta ter bom gosto naturalmente. 

Furto e roubo (Qual a diferença?)

O furto é a ação que consiste em tomar e reter os bens de outrem, sem que este saiba. O roubo é a ação que toma os bens de outrem à vista da vítima. Assim, um menino de rua quando subtrai de uma loja um tênis, sem que os vendedores percebam, ele furta. Quando um indivíduo abre repentinamente a porta do seu carro, no trânsito, e exige que você desça, levando seu precioso veículo, ele rouba. 

(*) Professor Antônio da Costa é graduado em Letras Plenas, com Especialização em Língua Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). Contato: (088) 99373-7724.


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