Parada obrigatória
É essa a impressão que neste ano eleitoral muitos brasileiros que buscam votos tentarão repassar, por ocasião das manifestações cívicas de segunda-feira (7/9) - Dia da Independência do Brasil. Possivelmente verá político e candidato trocar o paletó pela “amarelinha, de bandeira na mão e dando aquele massacrante chá de cadeira na pobre plateia.
No dia 7 de setembro estaremos diante daquelas manifestações
que sempre fazem com que os hoje quarentões, cinquentões e outros “tões”
experimentem uma parada no corre-corre do cotidiano e relembrem outras paradas.
Aquelas em que os estudantes eram convocados - e não, convidados ou estimulados
- a marchar “garbosamente” pelas ruas. E tudo em nome de um ilusório patriotismo
que, para muitos, constituía-se também numa realização naquela época de santa
ingenuidade.
Passados
os anos, a maioria desses brasileiros passou a reconhecer que eram, na
realidade, obrigados a desfilar diante de um palanque repleto de “autoridades”.
Mas os que lá estavam é que deveriam marchar, bater continência e estar
unicamente a serviço do povo. Só que, em vez disso, algumas “otoridades” ali
presentes compraziam-se ao ver as “otaridades” (parte ignorante e ingênua do
povo) marchar e os aplaudir sob seus ditames.
Atualmente,
essa obrigatoriedade não mais existe. Muitas mentes despertaram, passaram a
questionar mais suas reais necessidades, defender e exigir mais respeito e tudo
isso com mais liberdade. Dessa forma, unindo-se àqueles que também já faziam
isso naquela época, mas sob pressão, na maioria das vezes às escondidas, mesmo
correndo alto risco de serem flagrados, denunciados, presos e apenados da pior maneira
possível, inclusive com a morte.
Apesar
desse progresso de mentalidade, infelizmente ainda sobrevive a semente daquele
passado sombrio; persiste um contingente de defensores e pregadores de que o
instrumento de manobra continua sendo a falta de conscientização do que seja
realmente patriotismo. Por conta disso é que se faz urgente a necessidade de continuar
desmistificando inverdades ensinadas no passado, ou melhor, empurradas goela
abaixo. E o maior estímulo é saber que isso tem como origem a ignorância da
população quanto aos fatos que aconteciam e eram repassados de forma deturpada
para as gerações seguintes. Enfim, a história do Brasil permanece muito carece
de ser passada a limpo.
Apenas
para exemplificar, a maioria dos brasileiros ainda acredita que a nossa
Independência transcorreu de forma tranquila, sem lutas e sem derramamento de
sangue. Grande parte do povo permanece anestesiada pelo romantismo, pela
conivência de historiadores comprometidos com o Poder central e pelos rasgos de
bravura emanados de obras de arte, como a pintura de Pedro Américo, que, na
realidade, esmerou-se especialmente e ao máximo em bem retratar o pai do seu
protetor.
Sem
dúvida, também se nota o imenso esforço de muitos brasileiros para livrar a história
real do véu negro que tenta apagar inúmeras verdades históricas. Mesmo assim,
ainda repousa em quase total esquecimento a luta que mulheres, negros e
indígenas travaram em prol da Independência. Ainda são também ofuscados os
sangrentos acontecimentos de revoltas ocorridos no Nordeste, a fim de libertar o
Brasil do jugo de Portugal.
Na
oportunidade, cito apenas dois: o movimento que teve como ápice a Confederação
dos Equador (1824), em Pernambuco, e a Batalha de Jenipapo, ocorrido em 13
de março de 1823, no Piauí. Nesse último, civis piauienses, cearenses e
maranhenses, munidos de armas rudes, se opuseram às tropas portuguesas, culminando
numa carnificina das mais sangrentos da Guerra de Independência do
Brasil. Enfim, isso aconteceu no Nordeste. Como se depreende, a
discriminação do nordestino e a subvalorização da sua luta vem de muito
longe.
Diante de tudo isso, considero salutar uma parada obrigatória para todos repensarmos a real extensão e o peso do termo patriotismo, já que será a palavra de ordem desta segunda-feira (7/9). Sem muito esforço intelectual, depreende-se que patriotismo passa muito longe do que estamos ouvindo e vendo à exaustão nos últimos tempos.
No
meu entendimento, patriotismo vai muito além de vestir verde e amarelo,
empunhar bandeiras, cantar hinos, marchar ou conhecer símbolos cívicos. As
ações que caracterizam esse nobre sentimento devem surgir de forma consciente,
livre e de espontânea vontade; elas devem ser praticadas de forma responsável e
não à custa de lavagem cerebral.
A
prática do patriotismo em seu sentido original deve ser estimulada, mas sem
engessar o censo crítico, sem alienar e sem obscurecer a realidade dos fatos. E
sem jamais ser transformada em “obrigação legal”.
Infelizmente
essa última estratégia ainda tem sido a defendida pela maioria dos governantes
e autoridades do ensino. Como obrigação legal tem sido a estratégia mais
buscada de alguns governantes que equivocadamente tentam implantar patriotismo
na população. É um retrocesso!
De
forma civilizada e ordeira, essa equivocada forma de ensinar civismo deve ser
combatida e rejeitada a todo custo. Pois, além de não surtir efeito benéfico,
sua imposição só causa insatisfação, revolta e a desobediência. Que fique
bem claro: Conhecer melhor nossos símbolos (Bandeira, Armas, Selo e Hino),
respeitá-los, defendê-los e reverenciá-los é um excelente exercício de
cidadania, que faz bem a todos.
Mas
insisto: Desde que isso seja praticado de forma que não aliene a população da
dura realidade; que não iniba o senso crítico dos brasileiros de se indignar
contra as bandalheiras que vêm acontecendo. E desde que esse exercício de
cidadania seja praticado de maneira que estimule os brasileiros a conhecerem
mais sua história, a procurarem descobrir e entender realmente o que aconteceu
nesses 204 anos de busca da independência.
E
mais: Que depois disso todos sejam conscientemente movidos a tudo fazer para
promover as correções necessárias. E viva o Brasil!
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Ingratidão
É o
que tem demonstrado a Câmara local que ainda não prestou uma merecida homenagem
ao quase desconhecido professor, poeta, músico e grande sobralense, José
Esmeraldino Vasconcelos (foto), que faleceu há mais de duas décadas. Muitos até
nem sabem que foi ele quem compôs o Hino de Sobral. E o descaso não é só da
Câmara, não. Ingratidão e cegueira intelectual contagiam.
22 anos
José
Esmeraldino Vasconcelos morreu em 06 de setembro de 1994, aos 84 anos, em
Fortaleza (CE). Apesar de cego, tornou-se músico, escritor, poeta e professor
do Instituto dos Cegos do Ceará. O autor do Hino oficial do município de
Sobral, onde nasceu em 16/04/1909, sendo filho de Antônio Galvino de
Vasconcelos e Maria Branca Esmeralda de Vasconcelos.
Obras
No dia 1º de setembro de 1955, Esmeraldino Vasconcelos fundou o Educandário Padre Anchieta estabelecimento de Ensino Primário para pessoas com visão e no dia 1º de setembro de 1957 inaugurou a sede própria desta escola, que foi extinta em novembro de 1972 por circunstâncias alheias à vontade de seu diretor, através de ação judicial. Em 1954 publicou o livro "Luz dos meus olhos", numa edição de 1.000 exemplares. Também colaborou com os Diários Associados durante dois anos como cronista amador incrementando os Círculos de Pais Mestres. É autor do Hino do Instituto dos Cegos do Ceará (letra e música) e de muitas outras composições.
Tente aí!
O Hino Nacional Brasileiro foi instituído pelo Decreto 171/1890, de 20.01.890, com música de Francisco Manuel da Silva (1795 - 1865). Em 06/09/1922, através do Decreto nº 15.671, ocorreu a oficialização a letra do Hino, escrita por Joaquim Osório Duque Estrada (1870 - 1927). Muitos brasileiros podem até saber dançá-lo, já que há muitas versões (forró, rock, samba...) por aí. Agora, cantar o Hino corretamente, aí são outros quinhentos.
Dando bandeira
Aproveite o feriado da segunda-feira, 7, e descubra em sua cidade quais as instituições que cumprem à risca o que determina a Lei 5.700/71, que disciplina o uso dos Símbolos Nacionais. Provavelmente se surpreenderá ao tentar saber como e onde está a bandeira do seu município.
DOMINGO
NA EDUCADORA FM 107,5 - SOBRAL-CE
ÁUDIO: https://www.radios.com.br/play/12869
ÁUDIOVÍDEO: https://www.facebook.com/educadoradonordestefm
NO
YOUTUBE: Rádio Educadora FM 107.5
Neste domingo (6),
das 10h30 às 12h30, PROGRAMA ARTEMÍSIO DA COSTA com
notícias, reportagens, curiosidades, música de boa qualidade. DESTAQUE:
ESPECIAL INDEPENDÊNCIA DO BRASIL. Participe 3611-1550 // 3611-2496 // Facebook:
Artemísio da Costa.
UM
DOMINGO ABENÇOADO E DIVERTIDO!
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