sexta-feira, 16 de outubro de 2026

DE OLHO NA LÍNGUA- Prof. Antônio da Costa (Do Jornal Correio da Semana - Sobral-CE - Sábado - 17.10.26)

Hoje se faz quase tudo “a distância” ou “à distância”

Hoje, de fato, se faz quase tudo a distância. Estou querendo dizer com isso que não se acentua o “a” quando a distância for indeterminada ou desconhecida. Exs.: Os policiais observavam a manifestação a distância; Quero ver  essa gente pelas costas e a boa distância; Acompanhei o espetáculo a razoável distância.

Apesar disso, há muita gente por aí promovendo educação “a” distância e até namoro “à” distância. Dá pra imaginar a “eficácia” tanto de um quanto de outro...

Quando a distância for determinada ou conhecida, no entanto, o acento no “a” é obrigatório: Eles namoravam à distância de cinco metros um do outro; Via a paisagem à distância de vinte metros. 

Perigo de morte / Perigo de vida

Salvo melhor aviso, parece-nos que são boas as duas maneiras de dizer, embora a primeira aparente foros de melhor fidalguia, clássica ou popular, por causa da velha expressão “estar em perigo de vida”, ao passo que a segunda soa a alguns afrancesada (danger et mort).

Perigo de vida explica-se pelo verbo “perigar”, hoje pouco usado. Ex.: Se a vida nos periga, estamos em perigo de vida. Por outro lado, não repugna dizer perigo de incêndio, de explosão, de guerra, de naufrágio, de infecção, etc., e por estas formas, estereotipadas ou quase, se pode justificar perigo de morte.

Parece que perigo de vida é, como já dissemos, substantivação do caso de periga a vida; e que, no perigo de morte, este de morte corresponde, não ao verbo perigar, mas ao adjetivo mortal. Compare-se com ódio de morte e ódio mortal. Mortal significado relativo à morte, que “produz ou pode produzir a morte”. Portanto, se o perigo é mortal, é perigo de morte.

Para concluir: perigo de vida porque (como a vida é a maior dádiva de Deus), estamos correndo perigo de perdê-la. E perigo de morte, porque a morte é perigosa. Do mesmo modo podemos usar as formas: risco de vida e risco de morte. 

Os meus óculos - O óculo

Essa palavra só existe no plural, porque cada uma das lentes é um óculo. Como essa armação supõe dois óculos (um à esquerda, outro à direita), então o conjunto só pode ser chamado de “os óculos”. Quem diz “o meu óculos” também deveria dizer, por exemplo, “a minha luvas”. No Brasil, é comum as pessoas dizerem erroneamente o óculos, este óculos, etc. Grave: O óculo (singular) é uma luneta. 

Quando o doente chegou ao hospital estava muito grave.

Frase corriqueira na imprensa. Grave é o estado do doente ou do ferido e não ele próprio. Por isso, não existem “doentes graves” ou “feridos graves”. 

Medicamento e remédio (Qual a diferença?)

Convém não confundir: medicamento é qualquer droga ou substância aplicada em alguém como remédio. Já remédio é tudo o que serve para aliviar ou curar um mal. Uma boa massagem é um remédio para o desgaste físico, assim como um banho, depois de longa ou árdua jornada de trabalho. Todo medicamento é remédio, mas nem todo remédio é medicamento. 

(*) Professor Antônio da Costa é graduado em Letras Plenas, com Especialização em Língua Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). Contato: (088) 99373-7724.

 

 

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