sexta-feira, 16 de outubro de 2026

POUCAS E BOAS - artemisiodacosta10@gmail.com (Do Jornal Correio da Semana - Sobral-CE - Sábado - 17.10.26)

                                              Humanização neles!

Comemora-se neste domingo (18) o Dia do Médico, que coincide com o Dia de São
Lucas, médico, pintor e autor do terceiro Evangelho e do livro dos Atos dos Apóstolos. Era conhecido como “Médico Amado”, conforme o apóstolo São Paulo na Carta aos Colossenses (Cl 4,14). Nosso reconhecimento, respeito e nossa gratidão a esse profissional, que dedica sua vida a minorar sofrimentos, curando doenças e possibilitando mais qualidade de vida àqueles que o procuram. E aproveitando a data, retorno a um tema cujo questionamento consciente e equilibrado traz benefícios para todos.

Nos anos 1982/1984, atuando no BB de Pedreiras (MA), tomei conhecimento de um curioso episódio que nos incita a discutir como anda a relação médico-paciente. Mesmo tendo muita coisa mudado de lá pra cá, vale a pena conhecê-lo. Então, ao caso! 

Após enfrentar péssimas estradas num pau-de-arara lotado e aos pedaços, um humilde agricultor chega num arremedo de hospital de um pequeno município daquele grande Estado. O longínquo e desprezado povoado era o local mais próximo para buscar ajuda. 

Trazia consigo uma mulher com dores quase insuportáveis e ainda teve de enfrentar o mau humor do organizador da fila. Esse demonstrava só ser menos importante que o médico. Mesmo assim, compadeceu-se da situação daquele casal. E, ignorando os xingamentos dos que já aguardavam há horas sua vez, introduziu os matutos no gabinete do doutor.

Ao entrar na salinha, a timidez dos dois aumentou diante da fria recepção do sisudo médico, que nem respondeu aos seus “bomrdias!”. Continuando de cabeça baixa e ignorando a presença do acompanhante, o doutor foi curto e grosso com a mulher ao dizer: “Isso são lá horas de sentir dor assim? Vai logo tirando parte da roupa e se trepando naquela cama! Vou rapidinho ver dois pacientes noutras salas e já retorno”. Os matutos obedeceram.

Ao voltar, o médico encontrou a mulher seminua, tapando as “partes” com as mãos. O homem estava de costas num canto e com os olhos cobertos pelo chapéu. E um silêncio profundo reinando naquele cubículo. 

Diante da cena, o esculápio não se conteve e bradou: “Muuuuito bonito! Na alcova de casa, vocês fazem toda sem-vergonhice, toda safadeza sem nenhuma cerimônia, né? Mas aqui...”

E antes de ele concluir a frase, o matuto sussurrou ainda de chapéu na cara e de costas: “Mas o poblema, doutô, é que essa muié aí não é a minha. Essa é a muié do meu cumpade. Só to aqui pruquê ele num pôde vim trazê ela, doutô!”.  E o mal-estar foi geral.

Humanização

Pois é, caríssimo leitor! Independentemente de você acreditar ou não nesse relato, a ausência de mais conversa entre as partes mostra claramente uma falha clamorosa na relação médico-paciente, algo que ainda hoje se constata. Sem dúvida, é apenas um dos casos que confirmam a necessidade de mais “HUMANIZAÇÃO” em muitos profissionais e em entidades. Outras ocorrências poderiam ser citadas, como desatenção ou tratamento descortês e, às vezes, até desumano com grávidas (parturientes), negros, idosos, deficientes e crianças. E especialmente se essas pessoas são iletradas, tímidas e/ou que pertençam a classe menos favorecidas. 

Ressalva

Observa-se ser muito reduzido o número de profissionais que na atualidade assim agem. Tais comportamentos estão em fase de extinção graças ao exemplo de verdadeiros apóstolos da medicina e de áreas correlatas que também existem. É notória a contribuição de campanhas por mais humanização nos hospitais, além da facilitação do ingresso de pobres nos cursos de medicina, antes monopolizado por ricos.

Causas

O lamentável é que, demonstrando alguma deficiência de caráter, falta de humildade ou timidez profunda, que é curável, alguns profissionais da saúde evitam estimular e exercitar o diálogo aberto, sincero e respeitoso com pacientes. Assim, a conversa em que todos devem ter vez e voz transforma-se num monólogo enfadonho. Nele, profissionais insensíveis e de formação falha repassam a figura de um quase “semideus”, o que aumenta o medo do paciente e prejudica fortemente a anamnese. E mais: passam a ver o paciente como um frio número, um mendigo que depende do seu possível e efêmero poder de curar alguns males. Esquecem-se, portanto, que estão diante de alguém constituído de corpo, alma e com muitos sentimentos abalados pelo sofrimento. Sem dúvida, agir assim é uma clara confissão de debilidade moral, intelectual e cristã de tais profissionais.

Semideus é pouco 

Noutra oportunidade, esse mesmo comentário na Coluna e no rádio rendeu-me mensagem nada educada, via WhatsApp, de um conhecido profissional da saúde local que sentiu ferida sua sensibilidade. Nela, o “doutor” sugeriu-me conhecer melhor a vida de médico, afirmando que eles não são somente semideuses, não. Em muitos casos são, sim, deuses mesmo, incluindo no rol de apoiadores até quem discorda completamente da sua afirmação. Da minha parte, ofereci-lhe espaço na Coluna e no Programa de Rádio para que ele ratificasse suas palavras. Pedi permissão para publicar seu desabafo aqui no jornal, no rádio e Blog. Mas ele não deu resposta e preferiu o silêncio.

Resquícios

Pois bem, é direito, sim, de trabalhadores da saúde dizerem que hoje dificilmente acontecem casos como o dos matutos maranhenses. Respeito isso, mas não somente discordo deles com base nos noticiários, como também lembro que hoje acontecem coisas até piores. Mas insisto em destacar que é muito pequeno o número desses eventos, uma vez que é proporcional à quantidade de maus profissionais. E também é proporcional ao número de pacientes que desconhecem seus direitos ou, conhecendo-os, por eles não lutam.

Balaio

É injusto e lamentável que muitos bons profissionais estejam sendo confundidos e prejudicados. Apesar de terem a prática da HUMANIZAÇÃO como algo inerente à própria personalidade, muitos deles vêm sendo equiparados aos demais, julgados de igual forma e irresponsavelmente jogados no mesmo balaio. É preciso e é dever de justiça fazer a distinção.

Maquiagem

Infelizmente, muitos têm assimilado HUMANIZAÇÃO como se fosse algo que se implanta com reformas nas instalações prediais, como melhoria de espaços, climatização, informatização, equipamentos modernos, cartazes espalhados, jarro de flores, cafezinho, etc. Isso é importante; é, inclusive, necessário. Mas não passa de maquiagem.

Ideal

No caso de hospitais, observa-se profissionais procurarem manter estreito relacionamento com quase tudo do hospital, menos com o paciente. Debite-se a culpa primeiramente à formação familiar do profissional. Em segundo lugar, às escolas médicas que ainda se esmeram em apenas capacitar profissionais para curar doenças. O ideal seria, tanto em casa como na escola, também capacitar pessoas para cuidarem de “pessoas que sofrem” não somente por causa da doença. 

Gestos simples

Muitas vezes esse sofrimento é minorado, ou até curado, com um olhar generoso, uma palavra consoladora ou de estímulo. Um simples cumprimento sincero e verdadeiro faz quem se encontra debilitado pela enfermidade sentir-se gente. E isso tem poder incalculável.

Por fim

No meu entender, HUMANIZAÇÃO de verdade é algo que tem tudo a ver com gente, mas também tem limites pois o profissional é humano e requer respeito, reconhecimento e bom tratamento. HUMANIZAÇÃO é algo feito por pessoas e para pessoas e que envolve sentimentos, como alegria, tristeza, dor, emoção, carinho, humildade, solidariedade, altruísmo... Enfim, atinge-se a plenitude da HUMANIZAÇÃO quando se procura cumprir o primeiro e mais importante Mandamento: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”.

Lamentavelmente, muita gente só vai assimilar o que é a verdadeira HUMANIZAÇÃO e passar a praticá-la quando experimentar o sofrimento na própria pele ou na de algum ente querido.  Para o bem de todos, sugiro que mude, enquanto é tempo. Só lembrando: 29 de novembro - Dia Nacional da Humanização. Pense nisso!

DOMINGO NA EDUCADORA FM 107,5 - SOBRAL-CE

ÁUDIO: https://www.radios.com.br/play/12869

ÁUDIOVÍDEO: https://www.facebook.com/educadoradonordestefm

NO YOUTUBE: Rádio Educadora FM 107.5

Neste domingo (18), das 10h30 às 12h30, PROGRAMA ARTEMÍSIO DA COSTA, com notícias, reportagens, curiosidades, música de boa qualidade. DESTAQUE: Entrevista com o Ginecologista e Professor Dr. LUIZ D'ASCENÇÃO MORAIS DE AQUINO JÚNIOR, que falará sobre o tema “PROFISSÃO: MÉDICO”. Participe 3611-1550 // 3611-2496 // Facebook: Artemísio da Costa. 

UM ABENÇOADO E DIVERTIDO DOMINGO!

Nenhum comentário:

Postar um comentário