Pio X / Século I / Ano II / Capítulo III
Na sucessão de papas, séculos e anos de I a X lemos em ordinal; de XI em diante, em cardinal. Portanto: Século I (século primeiro); ano II (ano segundo); ano III (ano terceiro), Pio X (Pio décimo), século XI (século onze), ano XII (ano doze).
Não
existe século um, século dois, século três, século quatro, século cinco, século
seis, século sete, século oito, século nove nem século dez. Mas é justamente
desse modo que dizem quase todos os repórteres. Alguns até fazem pior. Escrevem: Papa elogia combate de Pio “10” ao
modernismo; Dois barcos que datam do século “1” foram descobertos...
Notícia de uma revista famosa: Cientistas israelenses anunciaram a descoberta de uma pedra com inscrições do século “9” a.C., que pode ter sido do lendário Templo de Salomão, citado no Antigo Testamento. Ora, escrevendo em cardinais, obrigam o leitor a ler erradamente. Num grande telejornal se ouviu certa vez: Arquimedes viveu no século “três” antes de Cristo. Tudo mentira.
Ao encontro de /De
encontro a (Qual a diferença?)
“Ao
encontro de” indica situação favorável, conformidade de ideias. “De encontro a”
dá ideia de contrariedade, oposição, choque, confronto. Ex.: Um aumento de
salários sempre vem ao encontro dos funcionários; Um aumento de horas de
trabalho, sem remuneração, sempre vem de encontro aos funcionários.
Muita diferença de significado existe entre estas duas frases: “A criança foi ao encontro da mãe, assim que a viu” e “A violência do acidente levou a criança de encontro à mãe, machucando-a”. Repare, ainda, nesta frase: O vício de fumar vai ao encontro dos preceitos de sua mulher, que também fuma, mas vai de encontro aos preceitos de seus filhos, que detestam cigarro.
Dar uma pensada /
Dar uma verificada
Só
porque podemos dar uma olhada, dar uma chamada e também dar uma passada, muitos
acham que também podem dar uma “pensada” ou dar uma “verificada”.
Na fala diária podemos até usar quase sem muito problema: Vou dar uma pensada no assunto ou vou dar uma verificada no documento. Convém evitar esse emprego, contudo, na escrita formal ou em momentos em que os registros da língua popular não são muito aconselháveis (como num julgamento ou até mesmo numa entrevista). Prefira usar vou pensar, vou verificar. Não é mais simples?
É correto dizer:
Fi-lo porque qui-lo?
Errado. Essa frase, atribuída a um ex-presidente, teria sido dada como
resposta a seu ato de renúncia, em agosto de 1961. Mas, segundo as normas da
sintaxe portuguesa, a frase não está correta. A frase melhor seria: Fi-lo
porque o quis.
Ídolo
É sempre nome de gênero masculino, ainda que se refira à mulher: Meu ídolo é Carolina Ferraz; Paula era o ídolo de boa parte dos aficionados ao basquete. É bom lembrar que um famoso apresentador de um programa da Globo, todas as tardes de domingo, sempre diz: Fulana é minha ídola; Roberta Miranda é minha ídola; Fulana de Tal é minha anja. Televisão é para instruir o povo, e não o contrário. As palavras ídolo, anjo, membro, indivíduo são substantivos sobrecomuns.
(*)
Professor Antônio da Costa é graduado em Letras Plenas, com Especialização em
Língua Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). Contato:
(088) 99373-7724.

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