segunda-feira, 27 de novembro de 2017

COLUNA WILSON BELCHIOR: Quando você não perdoa o prisioneiro é você

Para entendermos a frase, faz-se mister rever o conceito de perdoar, pois ouve-se normalmente pessoas interpretarem perdão como sendo esquecer, procurar não se lembrar, deixar para lá, não ligar para o fato, viver sem o fato, etc., o que é incorreto, pois perdão não é amnésia e nem Alzheimer.
PERDÃO - O conceito da Igreja Católica de perdão é: Você se arrependendo sinceramente de um mau ato praticado (Pecado), Deus o perdoará (Perdão). O perdão concedido é, portanto, condicional e, para ser obtido, precisará da ocorrência de um pré-requisito, o (Arrependimento). Tem que se arrepender do erro que cometeu (Pecado ) para ser por Deus perdoado. Portanto, no ponto de vista da Igreja Católica Apostólica Romana, o perdão é condicional. Não há perdão sem arrependimento.

ANISTIA - No mundo da política não existe perdão, mas anistia. A anistia é uma determinação social e consiste na sociedade que foi vítima considerar o ato cometido (erro) nulo, formal e legalmente e continuar a vida como se nada houvesse acontecido. A anistia apaga por completo o ato do contexto social.

Como não vivemos nem no mundo dos anjos nem no mundo da política, mas no mundo que constitui a nossa realidade, nesse, PERDOAR não é esquecer, mas se lembrar sem sofrer pela ocorrência ou por tudo que porventura tiver ela causado.

É, portanto, um ato cognitivo em que o cérebro consegue extrair da memória recente ou remota o fato, sem fazer sofrer aquele que se diz prejudicado. É, portanto, uma questão de posicionamento e de educação do comportamento cerebral.

Levando o exposto em consideração, é que considero lógico e plausível a frase “QUANDO VOCÊ NÃO PERDOA O PRISIONEIRO É VOCÊ” me parece correta.

A título de esclarecimento, e para ponderação, sabe-se que muitas vezes os resultados finais das nossas proposituras não dependem exclusivamente de nós (sujeito), mesmo se aplicarmos nelas todos nossos esforços e inteligências, mas também das condições que nos cercam (circunstâncias).

O conceito do Cristianismo Primitivo, que é o que foi ensinado aos Apóstolos, diretamente por Jesus Cristo, difere em teor e forma do que preceitua o Catolicismo Romano.

O Cristianismo Primitivo nos ensina que Jesus Cristo, da cruz olhando para o céu, exclamou: “Pai, perdoa! Eles não sabem o que fazem”.

A afirmativa é totalmente espiritual e de grande abrangência. Ora, se na realidade não sabemos o que fazemos, como poderemos ser culpados pelos resultados do que fizemos? 






(*) Wilson Belchior é engenheiro civil, articulista, poeta e memorialista.  

Nenhum comentário:

Postar um comentário