Para entendermos a frase, faz-se mister rever o
conceito de perdoar, pois ouve-se normalmente pessoas interpretarem perdão como
sendo esquecer, procurar não se lembrar, deixar para lá, não ligar para o fato,
viver sem o fato, etc., o que é incorreto, pois perdão não é amnésia e nem
Alzheimer.
PERDÃO - O conceito da Igreja Católica de perdão é:
Você se arrependendo sinceramente de um mau ato praticado (Pecado), Deus o
perdoará (Perdão). O perdão concedido é, portanto, condicional e, para ser
obtido, precisará da ocorrência de um pré-requisito, o (Arrependimento). Tem
que se arrepender do erro que cometeu (Pecado ) para ser por Deus perdoado.
Portanto, no ponto de vista da Igreja Católica Apostólica Romana, o perdão é
condicional. Não há perdão sem arrependimento.
ANISTIA - No mundo da política não existe perdão,
mas anistia. A anistia é uma determinação social e consiste na sociedade que
foi vítima considerar o ato cometido (erro) nulo, formal e legalmente e
continuar a vida como se nada houvesse acontecido. A anistia apaga por completo
o ato do contexto social.
Como não vivemos nem no mundo dos anjos nem no
mundo da política, mas no mundo que constitui a nossa realidade, nesse, PERDOAR
não é esquecer, mas se lembrar sem sofrer pela ocorrência ou por tudo que
porventura tiver ela causado.
É, portanto, um ato cognitivo em que o cérebro
consegue extrair da memória recente ou remota o fato, sem fazer sofrer aquele
que se diz prejudicado. É, portanto, uma questão de posicionamento e de
educação do comportamento cerebral.
Levando o exposto em consideração, é que considero
lógico e plausível a frase “QUANDO VOCÊ NÃO PERDOA O PRISIONEIRO É VOCÊ”
me parece correta.
A título de esclarecimento, e para ponderação,
sabe-se que muitas vezes os resultados finais das nossas proposituras não
dependem exclusivamente de nós (sujeito), mesmo se aplicarmos nelas todos
nossos esforços e inteligências, mas também das condições que nos cercam
(circunstâncias).
O conceito do Cristianismo Primitivo, que é o que
foi ensinado aos Apóstolos, diretamente por Jesus Cristo, difere em teor e
forma do que preceitua o Catolicismo Romano.
O Cristianismo Primitivo nos ensina que Jesus
Cristo, da cruz olhando para o céu, exclamou: “Pai, perdoa! Eles não sabem o
que fazem”.


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