"Após essa reunião, teremos uma reunião trilateral, que seria composta pelos dois presidentes, além de mim."
Um assessor de Putin confirmou posteriormente que Trump e Putin conversaram por 40 minutos por telefone.
O telefonema aconteceu três dias depois de os dois
chefes de Estado terem se reunido no Alasca, sem que um acordo
fosse firmado.
Zelensky afirmou que ainda não há data confirmada
para futuras negociações entre ele e o presidente russo, mas disse estar aberto
para uma reunião.
"Se a Rússia propuser ao presidente dos
Estados Unidos um encontro bilateral, veremos o resultado desse bilateral e,
então, poderemos ter um encontro trilateral", disse Zelensky a repórteres
do lado de fora da Casa Branca, após a reunião.
"A Ucrânia jamais se deterá no caminho para a
paz", disse ele, acrescentando estar pronto para "qualquer
formato".
Um encontro entre Putin e Zelensky marcaria a
primeira vez em que os dois se sentariam frente a frente em uma mesa de
negociações desde o início da invasão em larga escala da Rússia em fevereiro de
2022.
Há meses, o líder ucraniano vem pressionando para
se encontrar com Putin. Até então Moscou havia rejeitado repetidamente a ideia.
Após a reunião desta segunda na Casa Branca, o
assessor do Kremlin, Yuri Ushakov, afirmou que "vale a pena explorar a
possibilidade de elevar o nível de representantes" das delegações russa e
ucraniana nas negociações.
O saldo da reunião na Casa Branca
Antes da reunião expandida com a presença dos
demais líderes europeus, Zelensky e Trump participaram de um encontro bilateral
na Casa Branca.
O presidente ucraniano disse que foi a
"melhor" reunião que já teve com seu homólogo americano,
acrescentando que as conversas foram "construtivas" e
"específicas". Ele também disse ter mostrado a Trump "muitos
detalhes" em um mapa do campo de batalha.
Com base no que os dois disseram desde então, a
reunião parece ter se concentrado em discussões para estabelecer garantias de
segurança para a Ucrânia e marcar a reunião trilateral entre Zelensky, Trump e
Putin.
Após seu encontro bilateral, Trump e Zelensky se
reuniram com os demais sete líderes europeus: o chanceler alemão, Friedrich
Merz; o presidente francês, Emmanuel Macron; o primeiro-ministro britânico,
Keir Starmer; a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni; o presidente da
Finlândia, Alexander Stubb; o secretário-geral da Otan, Mark Rutte; e a
presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
Durante as conversas, Trump pareceu descartar a
necessidade de um cessar-fogo antes que as negociações para encerrar a guerra
pudessem ocorrer.
No passado, essa foi uma das principais exigências
da Ucrânia, que deixou claro que vê o fim dos conflitos como um pré-requisito
para novas negociações com a Rússia e, em última análise, para um acordo de
longo prazo.
Um cessar-fogo também poderia ser mais fácil de ser
alcançado do que um acordo de paz completo, o que levaria muitos meses de
negociações, durante os quais os ataques russos à Ucrânia provavelmente
continuariam.
"Não sei se é necessário", disse Trump
sobre um cessar-fogo.
Mas os líderes europeus pareceram reagir, com a
refutação mais contundente vindo do chanceler alemão, Friedrich Merz.
"Não consigo imaginar que a próxima reunião
ocorra sem um cessar-fogo", disse Merz. "Então, vamos trabalhar nisso
e tentar pressionar a Rússia."
Por sua vez, Zelensky não reiterou seus apelos
anteriores para que um cessar-fogo fosse estabelecido.
Acenando para as possibilidades, Trump prometeu
garantias de segurança para a Ucrânia, mas não ficou claro de que forma essa
proteção seria garantida, se liderada pela Organização do Tratado do Atlântico
Norte (Otan), ou se poderá contar com outro envolvimento americano.
O tema é considerado primordial para a Ucrânia e
para a Europa. "Acredito que as nações europeias vão assumir grande parte
do fardo", disse Trump sobre as garantias. "Vamos ajudá-las."
Ao que parece, qualquer futuro acordo de paz
permanente deverá conter algum tipo de garantia de segurança, seja na forma de
envio pelos EUA e Europa de tropas terrestres para manutenção da paz ou
patrulhas aéreas e marítimas ou por meio de contribuições com inteligência e
logística. Segundo analistas, Donald Trump deve preferir as duas últimas
possibilidades.
Em entrevista coletiva após as reuniões, Zelensky
afirmou que parte da garantia de segurança envolveria um acordo de armas de US$
90 bilhões entre os EUA e a Ucrânia.
Ele afirmou que o pacto incluiria armas americanas
que a Ucrânia não possui, incluindo sistemas de aviação, sistemas antimísseis
"e outras coisas que não divulgarei".
Zelensky também afirmou que os EUA comprariam
drones ucranianos, o que ajudaria a financiar a produção nacional desses
veículos não tripulados.
O presidente ucraniano disse ainda que as garantias
de segurança para Kiev provavelmente seriam definidas em 10 dias.
Um encontro mais cordial
Diante do clima hostil de sua última visita ao Salão Oval, em
fevereiro, Volodymyr Zelensky se esforçou para ser cordial e
conquistar seus anfitriões americanos.
Antes da reunião começar, ainda no Salão Oval, o
presidente ucraniano disse "obrigado" a Trump e ao governo americano
seis vezes nos primeiros minutos em que falou.
Na visita anterior, Zelensky havia sido repreendido
pelo vice-presidente J.D. Vance por supostamente não demonstrar gratidão
suficiente pelo apoio dos EUA à Ucrânia durante a guerra.
Trump, por sua vez, agradeceu a Zelensky por estar
nos EUA e disse que "progressos estão sendo feitos" para pôr fim à
guerra entre a Rússia e a Ucrânia.
O presidente ucraniano entregou então uma carta de
sua esposa, Olena Zelenska, para a primeira-dama americana, Melania Trump,
agradecendo a ela por seus esforços empenhados em trazer de volta para casa as
crianças ucranianas mantidas na Rússia.
(Fonte:
BBC)



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